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Crônica da Cozinha – Nada é o que parece ser

Jundiaqui
3 de setembro de 2017
Por Manuel Alves Filho

Estradas vicinais são imprevisíveis. Há situações em que são a solução para o emaranhado de vias que nos chuleiam e nos levam para não lugares. Há ocasiões, porém, que nos afastam de nossos destinos e, de quebra, comprovam a hipótese formulada por alguma mulher de que nós, homens, não temos sentido de direção. Há circunstâncias, ainda, em que esses caminhos secundários nos revelam deliciosas surpresas, recantos acolhedores que jamais poderiam estar localizados às margens de nossas histéricas autoestradas.

Essas artérias urbanas auxiliares têm personalidade distinta.

Frequentemente, são acidentadas, sinuosas, isoladas, carentes, sofridas, abandonadas, sombrias, arborizadas e empoeiradas.

São também, em alguma medida, reminiscências do que a cidade já foi, para o bem ou para o mal. Nas bordas de um desses caminhos, havia o que parecia ser, aos olhos dos passantes, uma birosca. Algo como um uma baiuca muito engraçada, que não tinha atrativos, não tinha nada.

Eu já passara por ela algumas vezes, e jamais lhe dera atenção. Certo dia, um amigo recomendou que visitasse o lugar. Garantiu que o local era simplão, mas que servia comida boa. Fui checar, claro. Singrei a vicinal, chacoalhei o esqueleto, aspirei poeira. Cheguei, me apresentei, fui bem acolhido e servido imediatamente.

Comi uma carne macia, suculenta e no ponto preciso, um arroz soltinho, um feijão delicioso, denso e repleto de tranqueiras e um torresmo crocantíssimo.

A quinta-essência da comida de família, aquela que sustenta o corpo, dá conforto ao espírito e não ofende o bolso. Retornei vascolejando satisfeito pela vicinal, convencido de que as grandes avenidas com arranha-céus envidraçados jamais poderão proporcionar tamanho deleite.

Foto: Ronei Thezolin

Manuel Alves Filho é jornalista e chef de cozinha
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