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Crônica da Cozinha – O tom da harmonização

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30 de novembro de 2021
Pelo chef Manuel Alves Filho

A comida pode ser harmonizada com diferentes elementos. Os mais comuns são as bebidas. Recomenda a boa técnica, por exemplo, que pratos leves sejam acompanhados por vinhos ou cervejas igualmente frugais. Já preparações marcantes costumam pedir escoltas líquidas mais impositivas.

A experiência da harmonização não deve ser considerada, entretanto, uma ciência exata. Subversões são admitidas, desde que tragam prazer ao comensal.

Além das bebidas, as músicas também conjuminam muito bem com a gastronomia, como diria um amigo. Eu, por exemplo, adoro cozinhar ouvindo blues. O gênero, que sugere uma mescla de lamento, sensualidade e expressividade ancestral, combina à vera com a minha personalidade e com o caráter afirmativo da gastronomia que exerço.

A propósito, na minha infância eu já rimava canções e refeições, claro que de maneira intuitiva.

Lembro-me que preferia o rádio à televisão. Por meio do pequeno aparelho receptor, alimentado a pilha, ouvia programas jornalísticos, esportivos e musicais.

No horário do almoço, meu inseparável companheiro estava sempre sintonizado numa emissora que tocava as dez músicas mais pedidas pelo público. Frequentemente, a composição campeã era assinada pela dupla Roberto Carlos e Erasmo Carlos.

Uma das mais marcantes, para mim, era “Sentado à beira do caminho”, que volta e meia embalava os repastos preparados pela minha mãe, dona Glória.

Os versos da dupla, lapidados em 1969, quando eu tinha somente sete anos, faziam pouco sentido para o pequeno Manu, mas pareciam temperar com precisão o arroz soltinho, o feijão com caldo denso, a salada de chuchu com ovo bem cítrica e a onírica omelete de espinafre.

Ah, quanta saudade do tempo em que degustávamos tanto comida quanto música palatáveis.

Manuel Alves Filho é chef de cozinha e jornalista
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