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Queridas cozinheiras

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30 de março de 2020
José Renato Nalini escreve sobre a saudosa dona Léta Barbaro e outras 'mãos de fada'

O Brasil perdeu algumas décadas e é improvável as recupere em alguns setores. Indústria sucateada, pesquisa inexistente, escola deficiente, inovação em baixa. Como não existe progresso “per saltum”, inviável acreditar que disparemos para competir, por exemplo, com os “tigres asiáticos”.

O avanço deve ser por outras vias. Aquelas nas quais não se corre o risco de substituição pelo algoritmo. Penso na transformação do País num refúgio turístico verde, preservado, despoluído e desviolentado. Ou seja: desprovido de violência. Assim como hoje se fala em “despiora” da situação econômica, pode-se valar em “desviolência” para coibir os elevados índices de crueldade que afastam os turistas e aterrorizam os brasileiros.

Um setor em que o Brasil seria imbatível: a gastronomia. No mundo dos congelados, dos fastfoods, dos sanduíches que só fornecem obesidade, explorar aquele talento de quem cozinha por amor.

Durante minha já longa existência, experimentei as delícias dessas verdadeiras fadas, magas generosas que nos preparam ambrosias. Aqui mesmo, em Jundiaí, havia a Angelina, que trabalhava para D.Hilda Del Nero Bisquolo, a mãe da Lolô. Nunca me esqueço do que ela aprontava para o piquenique de 1º de maio! No Tênis Clube da Rangel, a família Machado também reinava com seu especial tempero.

O que falar então de D. Léta, que fazia milagres no forno e fogão? Legou ensinamentos para uma legião de pessoas, inclusive seu neto José Oswaldo. Quando frequentei a Fazenda Campo Verde, de Dulce e Victor Geraldo Simonsen, havia o chef João, que era especialista em galinha d’angola ao molho pardo e em confeccionar “marron glacé” com as castanhas colhidas ali mesmo. A Julieta, que esteve na Fazenda Santa Rosa, com Rosa Scavone, durante décadas, era outra maravilhosa quituteira.

Na família que me acolheu pelo casamento, havia a Benedita, banqueteira de mão cheia. Especialista em preparar refeições para muitos convidados. Também Benedita, outra profissional competente, cujos almoços em casa de Rosana Scavone Dall’Acqua eram sempre elogiados.

Durante algumas décadas almocei semanalmente – e às vezes, muito mais do que uma vez – em casa de Paulo Bomfim. Ele sempre teve amigos em volta à mesa farta, com excelente vinho e melhor conversa. Lúcia, verdadeiro anjo, morreu cedo. Veio Helena, de Itanhaem, a atender o luxo do poeta.

Tragédia que tudo fique na lembrança. Mas é no treino para a cozinha, que não tem possibilidade de substituir o amor pelo computador, que talvez o Brasil possa impressionar o mundo.

Os inteligentes e visionários deveriam pensar nisso.

José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-Graduação da UNINOVE e Presidente da ACADEMIA PAULISTA DE LETRAS – 2019-2020.

Foto: reprodução Facebook ‎JUNDIAHY ONTEM HOJE & AMANHÃ.
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