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Palmeiras rasga o manual da boa gestão

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7 de dezembro de 2019
Por Marcel Capretz

O resultado a qualquer custo. Sem critério, sem convicção. E com muita paixão. Sempre, muita paixão... as últimas horas no Palmeiras rasgaram qualquer manual de boa gestão esportiva.

No domingo antes do jogo contra o Grêmio, ouvi do diretor de futebol, Alexandre Mattos, quais jovens jogadores estariam no time de cima para serem comandados pelo técnico Mano Menezes em 2020. Eis que uma semana depois ouvi do presidente Maurício Galiotti que não só Mano como o próprio Mattos estavam demitidos. Qual a coerência? Qual a lógica? As três derrotas que vieram na sequência (Grêmio, Fluminense e Flamengo) são maiores do que a crença de que o trabalho estava sendo bem feito e que havia margem de evolução no médio prazo?! Pelo jeito sim...

Quero deixar claro que considero que o trabalho de Mano Menezes não foi bom nesses vinte jogos no Palmeiras. Ele não conseguiu implementar ideias elaboradas tanto ofensivas como defensivas na equipe. Se compararmos os princípios de jogo do Verdão com o que apresentam os dois primeiros colocados do Brasileirão - Flamengo e Santos - vemos um abismo gigantesco. Não que Jorge Jesus e Jorge Sampaoli sejam os melhores técnicos do mundo. Mas pelo menos os dois estrangeiros conseguiram aplicar conceitos muito claros, principalmente na parte ofensiva. Já Mano Menezes pouco rompeu com a ideia defensivista que o seu antecessor Luiz Felipe Scolari tinha como marca.

Eu também demitiria Alexandre Mattos. Ele já apresentava um desgaste natural. O período de cinco anos no comando de um departamento de futebol gigantesco como esse gera naturalmente pequenos atritos que vão contaminando o dia a dia. Mas que fique bem claro: o saldo dele é positivo. Foram três conquistas nacionais e o resgate da auto estima do torcedor palmeirense. Claro que ele errou em várias contratações e não deu respaldo aos treinadores quando eles mais precisaram. Mas no balanço geral o trabalho dele foi muito bem feito. Porém mudanças sempre são necessárias para um clube continuar sendo vencedor.

Perceba que eu, assim como Galioti, dispensaria Mano e Mattos. A minha crítica, porém, é a maneira com que tudo aconteceu. Demitir profissionais estratégicos como esses ainda nos vestiários, no calor de uma derrota como a que foi para o Flamengo, é de um amadorismo incrível. Ainda mais sendo declarado publicamente que os dois planejavam a temporada seguinte. O Palmeiras pode ter o melhor estádio, o melhor projeto de sócios, o maior patrocinador, enfim, toda a estrutura e os recursos possíveis. Entretanto, de nada vai adiantar, se quem estiver no comando agir com o coração, com a paixão, simplesmente cedendo a pressão para dar uma resposta a torcida.

 

 

 

 
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