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São Paulo sem rumo e fragilizado

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26 de junho de 2019
Por Marcel Capretz

Critiquei já muito o Palmeiras em minhas tribunas. Naquele nebuloso período de dois rebaixamentos em dez anos parecia não haver luz no fim do túnel para a retomada de um período de conquistas. Mas essa luz veio, com Paulo Nobre acendendo a primeira chama e depois com uma gestão profissional dando sequência e mantendo a luz acesa com o aperfeiçoamento de departamentos que são chaves em um clube, como o financeiro, marketing, jurídico e, evidentemente, o futebol capitaneado hoje muito mais pela razão do que pelo coração (ou fígado, se preferir!).

O São Paulo dessa década é o Palmeiras da década passada - me permita aqui uma margem de erro para arredondar esses períodos já que o Verdão sofreu de 2002 a 2014 e o Tricolor vem patinando desde 2008.

Um clube grande sem conquistas relevantes por muitos anos começa a perder para ele mesmo. Dentro e fora de campo. Dentro pela instabilidade e falta de confiança principalmente por parte da torcida que no primeiro revés trará à tona o passado recente de fracassos. E fora de campo a paga vem pelo desejo de mudança e reformulação a todo momento, já que não há paciência para esperar a maturação de nenhum projeto técnico-metodológico.

Há um mantra na Premier League de que vai ser campeão o time que errar menos. Ou seja, o erro é parte do processo. Porém o São Paulo vem abusando do direito de errar. Os casos que explodiram nessa semana são um retrato da falta de títulos da equipe: como explicar a contratação de Biro Biro? Qual a análise que foi feita para a chegada desse jogador? E o que dizer da falta de dinheiro para honrar os compromissos atuais, já que no início do ano havia a previsão da entrada de verbas condicionadas a desempenhos prévios dentro de campo como, por exemplo, o avanço na Libertadores?! Em qual modelo de gestão se conta com o ovo antes da galinha? No São Paulo, amigos...

Raí e o presidente Leco são os linhas de frente de uma estrutura que não funciona. Sei que é chover no molhado, mas ou o Tricolor rompe com o seu atual funcionamento político-técnico ou a sala de troféus do Morumbi continuará por mais uns bons anos sem receber novos integrantes.

Marcel Capretz é jornalista esportivo
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