Niagara sem Semente estreia
Por Edu Cerioni – Em seus 92 anos, a Festa da Uva pela primeira conta com a uva Niagara Rosada Jundiahy sem Semente, novidade apresentada pelo viticultor Anderson Tomasetto, do bairro Traviú.
Uma caixa da mutação fica à mostra em um novo espaço de exposição do Pavilhão Frutas. Essa foi a última mutação expontânea dessa variedade de uva que é plantada desde 1933 na cidade.
Essa história da Niagara Rosada sem semente começou em 1989, explica Anderson, apelidado pelos amigos de Padreco. “O pessoal nunca deu muito valor a ela, por ter grãos pequenos e rachar muito, o que exige cuidados extras. Agora, estou trabalhando com mais cálcio para melhorar a espécie que tem tudo para cair em breve no gosto do consumidor de uva de mesa”, aposta.
O produtor avisa que a Niagra Rosada sem Semente passa pelo processo de registro junto ao IAC – Instituto Agronômico de Campinas/Unidade Jundiaí para que em um futuro próximo ela seja comercializada. “Com o passar dos anos, vem a expertise para que a gente amplie a produção. E faço isso não só por mim. Quero dividir conhecimento”.
Padreco apresenta na exposição uma linha histórica do tempo da uva Niagara, a começar pela Branca. Dela surgiu a Rosada em 1934, que nos transformou em Terra da Uva. A seguir vieram Rosada Gigante, Rosada Oval, Branca Oval, Branca Gigante, Rajada, Rosada Steck e agora a Rosada Sem Semente.

Brinco durante a entrevista e chamo Padredo de Professor Pardal, por ter plantadas em suas terras um total de 65 diferentes variedades de uvas, mas ele explica: “Todas as mutações da Niagara surgiram espontaneamente”. E destaca a Steck: “Eu, particularmente, adoro essa uva de cor de cobre, meio dourada, porque ficou muito tempo adormecida. Não se via frutos desde os anos 50 e nós conseguimos resgatá-la e preservar sua história”.

AQUELE ABRAÇO
Cada tipo de Niagara fica dentro de uma redoma de vidro sobre um pedestal e nome em uma placa. Foram dispostas de uma forma a “abraçar” uma redoma central em que se vê a Comenda da Ordem Nacional Cruzeiro do Sul, oferecida a Antonio Carbonari pelo presidente da República Eurico Gaspar Dutra, em 1948. Foi assim que surgiu o título de Comendador Antonio Carbonari, italiano que empresta seu nome ao parque em que acontece a Festa da Uva – agora em sua 41ª edição.

Foram nas terras também no Traviú de Carbonari que surgiram os primeiros quatro cachos de uva Rosada, que foram expostos em 1934 na 1ª Festa da Uva. “Em finais de 1933, foram notadas na vinha que uma cepa de Niagara Branca ostentava em alguns pampanos maravilhosos cachos de bagas vermelhas. Nascera assim, por mutação somática no Sítio Retentem, a Niagara Rosada, que se tornaria a uva mais cultivada do Estado”, descreve no livro “Cultivando Uvas, Sonhos e Tradições” Francisco José Carbonari, que resgata a saga familiar.
Uma curiosidade é que as primeiras remessas mandadas ao Rio de Janeiro da Rosada não tinham boa aceitação, sua coloração causava estranheza e ela encalhava. Antonio mandou avisar aos queixosos comerciantes que cobrassem mais pelo produto, por ser algo raro, exclusivo. Deu no que deu…
Hoje a uva Niagara Rosada Jundiahy tem a Indicação Geográfica (IG) do Instituto Nacional da Propriedade Industrial, o famoso INPI, categoria Indicação de Procedência, o que é um selo de qualidade indiscutível. São pouco mais de cem registros brasileiros no INPI, o da Niagara Rosada o primeiro para uma uva paulista.
Já a Cruzeiro do Sul, vale lembrar, é oferecida a personalidades estrangeiras. Já recebeu, por exemplo, a rainha da Inglaterra Elizabeth II. E mais o presidente sul-africano Nelson Mandela, o revolucionário argentino Che Guevara e o piloto de Fórmula 1 francês Alain Prost.
Aqui, fotos na propriedade de Padreco, uma caixa com cachos de todas as variedades de Niagara, além da Steck e da sem Sementes nas parreiras – são de divulgação da Prefeitura Municipal -, além dele em outros momentos dessa 41ª Festa da Uva 2026:


One thought on “Niagara sem Semente estreia”
Prezado Eduardo, boa tarde
Te passo a citação bibliográfica da descrição da Niagara sem sementes
PIRES, E. J. P.; POMMER, C.V. ; PASSOS, I.R.S. ; TERRA, M M . Mutante somático sem sementes em videira Niagara Rosada.. Bragantia (São Paulo), Campinas, v. 47, n.2, p. 171-176, 1988.
Sem mais para o momento, Erasmo