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 Fred Zanatta: minha história com o Papa
23 de abril de 2025

Fred Zanatta: minha história com o Papa

Por Frederico Zanatta – Minha história com o Papa Francisco começa em sua eleição, na fria e chuvosa noite de 13 de março de 2013. No segundo dia daquele Conclave, Bergoglio foi escolhido para ser o líder dos mais de 1 bilhão de católicos espalhados pelo mundo e eu estava na Praça São Pedro, apertado na multidão que pouco tempo antes havia visto a tão aguardada fumaça branca sair da chaminé da Capela Sistina.

A chuva magicamente parou de cair minutos depois do anúncio do Habemus Papam. Já sabendo o nome escolhido pelo novo pontífice, a expectativa era para ver seu rosto. Em suas primeiras palavras, cheias do bom humor que marcaria o seu pontificado, Francisco brincou que seus irmãos cardeais tinham ido buscá-lo quase no fim do mundo. E eu, jovem estudante intercambista de Jornalismo que, por sorte ou providência divina, havia escolhido morar em Roma bem naquele ano, pensei imediatamente que pudesse se tratar de um australiano. Da minha perspectiva de brasileiro, o fim do mundo não ficava perto de casa…

Mas o burburinho da multidão me fez descobrir logo em seguida que se tratava, na verdade, de um argentino. E naquele ano de intercâmbio, foram inúmeras as ocasiões que me permitiram conhecer ainda mais sobre ele.

 

Sem recorrer a todos os livretos que tenho guardado das missas e cerimônias de que participei, posso elencar de memória os seguintes momentos em que estive, de alguma forma, junto dele: a missa de sua posse no dia 19 de março, a Via Sacra no Coliseu, a cerimônia de posse como bispo de Roma na Basílica de São João de Latrão, a procissão de Corpus Christi até a Basílica de Santa Maria Maior – onde, ao final desta semana seu corpo será enterrado -, uma vigília de oração pela paz na Síria, encontros com estudantes romanos, a cerimônia do feriado da Imaculada Conceição – em que o pontífice costuma presentear a imagem de Nossa Senhora da Piazza di Spagna -, e tantos outros momentos, como a vez em que me infiltrei entre um grupo de “hermanos” para participar de um evento.

Isso sem contar as vezes em que estive na Praça São Pedro para acompanhar o “Angelus” da janela do Palácio Apostólico aos domingos ao meio dia e as Audiências Gerais às quartas-feiras, também na Praça sempre lotada, quando além da catequese no sagrado da Basílica Vaticana, ele também costumava dar a volta entre os fiéis a bordo do papamóvel.

Assim como dizem ser Roma a Cidade Eterna, queria eu também que aquele ano fosse eterno em minhas memórias. Portanto, conciliar com os estudos na universidade a vivência da cidade e de tudo mais que ela me oferecia passava por marcar presença em tudo o que acontecia no micro-país nela cravado.

Naquela Praça que, conforme a vontade de Gian Lorenzo Bernini, abraça o mundo todo, eu também abracei as oportunidades daquele momento histórico, fiz inúmeros amigos, desenvolvi meu projeto de pesquisa para a universidade e ousei transpor as barreiras da segurança para chegar perto do sucessor do apóstolo São Pedro. Mais do que abraçar, fui eu que me senti abraçado pela História em sua construção.

Das revoluções que Francisco conseguiu realizar, as maiores delas foram colocar o ser humano no centro da Igreja e gritar para o mundo sobre a importância de se partir rumo às periferias. Periferias das nossas cidades, dos nossos países, mas, acima de tudo, periferias das nossas existências.

Das revoluções que não conseguiu integralmente realizar, Francisco fez com que o mundo pelo menos começasse a caminhar em direção à mudança.

Nas vezes em que conseguimos conversar – inclusive nas ocasiões em que voltei a Roma para passar férias, contei que eu era brasileiro, que eu tinha estado na Praça durante sua eleição e que meu projeto de pesquisa pela universidade tinha sido sobre a minha vivência no primeiro ano de seu pontificado. Tudo sempre muito rápido, mas na forma de instantes muito intensos.

Nenhuma dessas memórias supera, no entanto, sua risada quando, após pedir o seu costumeiro “Reze por mim”, meu nervosismo só permitiu que eu dissesse algo como: “É melhor que o senhor reze por mim, o senhor que é o Papa” (foto no alto da página).

Hoje, mais do que nunca, o mundo pede, não por nervosismo, mas enlutado: Reze e interceda por nós, querido Papa Francisco!

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5 thoughts on “Fred Zanatta: minha história com o Papa

Thaís Nonosays:

Lindo e emocionante! Você é e sempre foi muito abençoado! Te adoro, Fred!

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Carolina Ignarrasays:

Que história linda e que texto bem escrito . Parabéns Fred Zanatta

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Thais Finisays:

Fred , um menino muito diferenciado e abençoado, pelo Papa e por Deus ! Que linda reportagem

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Marcinho Mattossays:

Fred… Que linda história! Que fantástica experiência! Que rico texto!

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Marli Frateschisays:

Quanta honra Frederico. Parabéns!!!

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