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Jundiaiense volta para a prisão na Ucrânia

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6 de maio de 2018
Rafael Marques Lusvarghi foi pego em um convento e exibido como troféu nas ruas

O jundiaiense Rafael Marques Lusvarghi, 33 anos, acusado de terrorismo na Ucrânia, está outra vez na cadeia. Ele ganhou liberdade provisória em dezembro passado, vinha morando secretamente em um convento e foi descoberto por direitistas que queriam fazer justiça com as próprias mãos. Acabou resgatado por soldados das forças de segurança e foi parar na prisão sexta-feira (4).

A prisão foi mostrada em vídeos, no qual o guerrilheiro leva socos e é exibido como um troféu. Ao ser arrastado pelas ruas, os ucranianos exigiram que ele pedisse desculpas e Lusvarghi diz em russo fluente que "me perdoem pelo meu mau comportamento contra o povo de vocês". Ele vinha sendo usado como garoto-propaganda dos rebeldes nas redes sociais - um brasileiro que dava uma imagem de legitimidade ao movimento.

Lusvarghi lutou junto com os separatistas entre 2014 e 2015, quando tentaram se apropriar de parte da Ucrânia, com apoio dos russos. Foi preso em 2016 e condenado a 13 anos de prisão por terrorismo e recrutamento de mercenários, mas seus advogados conseguiram a liberdade provisória. Sua condenação foi derrubada por um segundo tribunal, que invalidou o primeiro processo por erros técnicos, mas a recomendação era de que ele deveria ter permanecido detido, aguardando por novo julgamento.

O jundiaiense deverá ter uma audiência com um juiz nesta segunda-feira (7), segundo o Itamaraty informou à BBC Brasil, assegurando que o brasileiro "está em segurança".



De acordo com a Organização das Nações Unidas, o conflito que já se arrasta há mais de quatro anos causou a morte de pelo menos dez mil pessoas e deixou 200 mil feridos.

Rafael é o mais velho de quatro irmãos nascidos numa família de origem húngara e de classe média aqui na cidade. A mãe professora é separada do pai, empresário em Minas Gerais.

Na adolescência, ele fez curso técnico no Colégio Agrícola. Aos 18 anos, se alistou na Legião Estrangeira, na França, onde serviu por três anos. Na volta ao Brasil, foi soldado da Polícia Militar de São Paulo e tentou sem sucesso a carreira de oficial na PM no Pará. Ele esteve também na Rússia e na Colômbia, onde teria feito parte das Farcs.

Por aqui ganhou destaque na imprensa ao ser preso nos protestos contra a Copa do Mundo de 2014, em São Paulo.  Acusado como black bloc, ficou 45 dias preso.



Fotos: reprodução Facebook
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