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Médicos de Jundiaí com coronavírus não conseguiram fazer testes aqui

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20 de março de 2020
Exames de Roberto e Ingrid foram na Capital. Dizem que filha está contaminada, mas sem confirmação por não cumprir "protocolo"

Edu Cerioni

Uma família de Jundiaí usou as redes sociais para contar sua história como infectada pelo coronavírus em um contundente alerta de que "muita gente provavelmente já está contaminada e não tem o diagnóstico", como assegurou o dr. Roberto Rocha e Silva, 55 anos, que mesmo sendo um médico cirurgião, não conseguiu fazer exames nas redes pública e particular da cidade para a confirmação da doença.

O mesmo aconteceu com sua esposa, a dra. Ingrid, 54, que também deu positivo para o exame, ambos feitos em hospital particular na Capital. E mais preocupante: apesar de os dois darem positivos, a filha Helena, que mora com eles, segue sem diagnóstico, porque não cumpre o chamado protocolo do Ministério da Saúde.

Eles também não cumpriam e, portanto, poderiam seguir com coronavírus sem saber, não fosse o conhecimento do próprio corpo e as informações sobre a pandemia que vem matando no mundo todo.

A dra. Ingrid conta no vídeo postado pela filha na noite desta quinta-feira (19) e que pegou de surpresa o Comitê de Enfrentamento ao Coronavírus: "A gente desconfiou que não estava com uma gripe". Depois das recusas em Jundiaí, ela foi a uma clínica radiológica também aqui na cidade, sem citar o nome, e fez uma tomografia. "Deu as lesões típicas do coronavírus nos meus pulmões", prossegue. Ela e o marido, então, foram para São Paulo, conseguiram um teste e a resposta saiu em 72 horas, ou seja, nesta quinta. Eles dois, por sinal, são os primeiros infectados de Jundiaí, como foi divulgado também neste 19 de março.

O dr. Roberto diz que "o vídeo não é para assustar, mas para que todos redobrem os cuidados". Sobre o que sentiram, Helena fala em dor de cabeça e cansaço, "o que pegou foi o cansaço mesmo e bastante dor no corpo. Só meu pai teve febre".

O OUTRO LADO

Pelo Comitê de Enfrentamento ao Coronavírus, que pela primeira vez desde sua criação não definiu regras, mas sim teve que prestar esclarecimentos, Tiago Teixera tentou tranquilizar a todos. Deu suas explicações em vídeo que deixaram muitos em alerta.Tiago criticou o cirurgião por não ter se afastado de suas funções no hospital particular em que trabalha, disse que a preocupação é grande com a equipe que esteve a seu lado e com os pacientes que passaram ali também. "Entramos em contato com o hospital para verificar quem vamos ter que colocar em quarentena". Não citou a clínica radiológica que a dra. Ingrid procurou, mas ela também precisará ser incluída.

Reconheceu estar gravando o vídeo para "tentar não gerar pânico", e avisou que está esperando respostas do casal para saber onde foi que tentou fazer o exame na rede pública. Mas reconheceu que os que não preenchem os critérios do Ministério da Saúde não passam por exame de jeito nenhum.

São eles, conforme nota da CEC enviada ao JundiAqui por conta da reportagem da aposentada que não conseguiu fazer o teste: "Para que seja realizada a coleta de exame é necessário que a pessoa tenha viagem internacional nos últimos 14 dias associada a sintomas como febre, tosse ou dificuldade para respirar. A outra situação é para casos que tenham tido contato com pessoas positivas ou suspeitas de infecção por Covid-19, além de febre ou dificuldades respiratórias".

No vídeo Tiago é enfático ao dizer que mesmo trabalhando em hospitais eles não conseguiram o teste lá dentro: "Se já é ambiente de trabalho deles, devem ter pedido e entender porque também lhes foi negado. Deveriam ter procurado a comissão de infectologia, que cada hospital mantém, e pedir afastamento por não estarem se sentindo bem. Essa fala simples de 'não consegui realizar o teste' não nos serve".

Também o prefeito Luiz Fernando Machado emendou a resposta e avisou: "Não há testes para todas as pessoas que procuram a rede de saúde. Há testes para todos no Brasil? Não. Há testes para todos no Estado de São Paulo? Não. E os exames estão demorando de dez a 12 dias para voltar. E sim, nós podemos ter mais casos na cidade sem confirmação".

Oficialmente as únicas confirmações até agora do coronavírus em Jundiaí são para Roberto e Ingrid, nomes que não tinham sido divulgados, e que de 86 suspeitos, 15 já deram negativos e 69 estão aguardando resultado em isolamento domiciliar.

QUEM SÃO

Segundo o "Escavador", atualizado em fevereiro último, Roberto Rocha e Silva tem graduação em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (1990). Residência Médica e Doutorado pelo Instituto do Coração (2003). Membro Titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular. Médico assistente do grupo de coronariopatia cirúrgica do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Chefe do serviço de cirurgia cardiovascular do Hospital Pitangueiras do Grupo Sobam. Chefe do serviço de cirurgia cardiovascular do Hospital Paulo Sacramento do Grupo Intermédica. Professor da Faculdade de Medicina de Jundiaí.

Já Ingrid Ramos Rocha e Silva tem graduação em Medicina pela mesma USP e também em 1990. Pós Graduação no Setor de Patologia em 2006 pela USP.

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