Nossa Senhorinha na festa de Santo Antônio
Por Edu Cerioni – Aos 2 anos, Marina ainda não entende sobre fé, promessa, amizade, mas conhece bem o amor de mãe e o valor de um colinho. E mesmo com o frio, voltou a se vestir de Nossa Senhora Aparecida para ir à festa de Santo Antônio.
Ela e mais de 25 mil pessoas, a maioria neste dia 13, passaram por lá agora em junho, devotos do santo dos pobres e casamenteiro, muitos com histórias milagrosas como essa da menininha.

Iana Rissato, a mãe, conta que Marina nasceu prematura com apenas 1,6 kg e, com dez dias de vida, teve uma infecção gravíssima. Foi então que uma amiga fez a promessa de que Marina seria levada em procissão de Santo Antônio todo 13 de junho, sempre vestida como Nossa Senhora. E assim se fez em 2024, neste 2025 e vai seguir até que a menina complete 7 anos de idade.
Moradora da Vila Isabel Eber, que mudou recentemente para Jundiaí, Iana explica que a amiga se chama Eliane e que mora em sua cidade natal, Potirendaga, vizinha a São José do Rio Preto. “Ela é muito devota e temos certeza de que Santo Antônio agiu para salvar minha filha”, disse. Iana também é mãe de Manuela, 6 anos.

A sexta-feira 13 também foi de agradecimento para dona Benedita Expedita Franco Roveri, que foi pagar a promessa de doar 100 pãezinhos como faz todos os anos e isso há décadas. “Ele é poderoso, é só o que posso dizer”, resumiu emocionada a moradora do Centro, de 73 anos.
A voluntária Maria Teresa Cantoni, às vésperas dos 79 anos, disse que alguns levaram até 500 pães nesta sexta para que fossem distribuídos durante a 61ª festa, das quais ela já participa há 40 anos. “Vamos oferecer cerca de 24 mil pãezinhos, é sempre gratificante”.
Quem benze os pães doados ou é o pároco padre Genival Antônio Pessoto ou um dos diáconos, Biagio Neto e Beto. A festa conta com 350 voluntários, uma dezena deles se revezando para ensacar os pães e distribuí-los. Professora aposentada, Maria Teresa assegura que o contato com pessoas tão diferentes e ao mesmo tempo iguais na fé a Santo Antônio a emociona.
A festa começa a ser preparada ainda na virada de fevereiro para março e se estende por 13 dias de junho, com trezena e vendas de lanches, pastéis, bolinhos e muitas outras delícias nas sextas, novidade de 2025, sábados e domingos. Segue até dia 15.

Já o bolo de Santo Antônio acabou ainda por volta de 18h30, um total de 25 mil pedaços. Raquel garantiu com compra antecipada o bolo que virou de aniversário para o marido Vanberto Farias. O apelidado Betão fez 47 anos e foi à Paróquia do Anhangabaú comemorar com Raquel e a filha Lara. “Meus pais colocaram nome começando com ‘V’ em todos os filhos, o meu ainda é Vanberto com ‘N’… bem que poderia ser Antonio, embora eu só tenha gratidão a eles que estão lá na Paraíba”.

O padre Jean Carlo dos Santos Cambuim, 31 anos, foi um dos 17 convidados para celebrações nos últimos dias. Ele vem da Paróquia São Francisco de Assis, de Campo Limpo Paulista, pelo segundo ano seguido. “É uma bênção celebrar Santo Antônio, pregador da palavra de Deus, homem cheio do Espírito Santo”.

Foi ele quem conduziu a procissão pelas ruas no entorno da igreja, onde uma menina me mostrou uma imagem do santo que disse ter vindo da Itália. Foram minutos marcantes e interessante foi ver fiéis tendo a oportunidade de carregar o andor com Santo Antônio e o Menino Jesus. Uma caminhada por ruas escuras com muita reza e cantos. Fica dica à Prefeitura Municipal: é preciso melhorar a iluminação ali para 2026. A chegada teve queima de fogos de artifício sem estampido.
Já o ministro extraordinário da Santa Comunhão Enivaldo Faccin destacou que o santo foi homem rico que dividiu seus bens. “Por isso é protetor dos pobres, exemplo de vida a ser seguido”.
Dom Arnaldo Cavalheiro, bispo Diocesano de Jundiaí, celebrou a missa das 10h.
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