USP busca voluntários aqui com deficiência visual
Um projeto de pesquisa da Universidade de São Paulo em parceria com a Ateal precisa de pessoas com deficiência visual como voluntários para ação realizada pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP sobre leitura audiodescrita.
Os voluntários vão participar do projeto de pesquisa interdisciplinar “Recursos inferenciais na metáfora situada e audiodescrição – estudo contrastivo”, que busca compreender como as conexões neuronais se configuram durante o reconhecimento de metáforas a partir da leitura audiodescrita. A ideia é comparar o efeito em pessoas com deficiência visual congênita e em pessoas que enxergam.
“Utilizaremos o recurso da ressonância magnética para mapear o cérebro em atividade durante a solução dos problemas que apresentaremos. Trabalharemos com dez pessoas com deficiência visual congênita e um grupo comparativo de dez indivíduos que enxergam. A ideia é compreender se os processos neurais são os mesmos nos dois grupos”, explica a coordenadora do projeto, Maria Célia Lima-Hernandes, professora do Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da FFLCH.
A coleta de dados será realizada por meio de ressonância magnética funcional, no Instituto de Radiologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. A ideia é selecionar dez participantes – cinco homens e cinco mulheres – que cumpram as condições indicadas abaixo:
– Pessoas a partir de 18 anos, independentemente do gênero;
– Pessoas com deficiência visual congênita – segundo os critérios médicos oftalmológicos, são pessoas que deixaram de enxergar antes do desenvolvimento do córtex visual cerebral, que ocorre durante os primeiros anos de vida;
– Pessoas com disponibilidade para ir aos encontros de orientação e experimentos.
Restrições:
– Alterações cognitivas, sensoriais e/ou psíquicas;
– Implantes metálicos fixos localizados do quadril para cima, colocados com mais de 20 anos: pino, prótese, implantes dentários, etc.;
– Implantes eletrônicos: marcapasso ou implante coclear;
– Suspeita de gravidez (principalmente o primeiro trimestre);
– Claustrofobia severa (pessoas que não conseguem usar elevador ou pegar um objeto embaixo da cama).
Tanto as pessoas cegas quanto as videntes participarão do experimento seguindo os mesmos protocolos. Todos utilizarão máscaras escuras para impedir qualquer interferência decorrente de visão ambiental.
Este projeto de pesquisa é financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e desenvolvido em conjunto com a Associação Brasileira de Assistência à Pessoa Deficiente (Laramara) e com o Instituto Jundiaiense Luiz Braille de Assistência ao Deficiente da Visão, entidades que possuem a expertise de profissionais no campo da deficiência visual.
Os resultados poderão trazer contribuições para o campo do ensino e aprendizagem escolar, seja na produção de materiais adaptados, seja na forma de criar audiodescrições mais ajustadas a esse perfil de indivíduos.
E-mail: leitura.audiodescrita.usp@gmail.com
Com texto de Eliete Viana, da Assessoria de Comunicação da FFLCH
Fotomontagem com imagens de Freepik e Pexels por Rebeca Fonseca
