Jundiaqui
Jundiaqui

A carta que não enviei

Jundiaqui
29 de junho de 2017
Por Guaraci Alvarenga

“E esta ilusão, amada, vem pela primavera.
Perfuma minhas dores com sua doce vinda.
E ressuscita o encanto dessas horas primeiras.
Em que foste o milagre de luz em minha vida” (Pablo Neruda)

Lembra-se daquela festa de São Pedro? O inverno nos castigava com um frio mais rigoroso. A fogueira ardia na lenha, aquecendo nossos sonhos. A saudade daquela dia me açoita a alma, castiga meu incauto coração.

Veja a saudade! Porta de fácil acesso a um ser enamorado. Conhecer-te foi para mim como o romper de uma nova aurora. Radiante e bela em suas cores. Serena e intrépida em sua luta contra as trevas. Alvorecer que trazia em seu encanto a luz de quem parte para a batalha com certeza da vitória.

Já os anos vividos dão-nos a boa claridade que estávamos no caminho certo. Crescemos juntos na vereda das ilusões de nossos ideais.

Continuamos jovens e fortes. A poeira de ilusões perdidas ficou para trás. Por serem efêmeras ilusões, passageiras foram no correr do tempo.

Agradecemos que a cruz do destino, não pesa em nossos ombros. A maioria de nossos passos encontrou pelo caminho mais tapetes de flores do que pedras.

A cada festa de São Pedro sempre será assim. Nas pequenas coisas ali sentidas são tocadas com o perfume da doce sedução. O “quentão” bebido nos braços entrelaçados. A pipoca comida a dois. O amendoim com casca. O “pé de moleque” repartido.

Recorda da historia contada pela velha senhora do porquê do doce chamar “pé-de-moleque”? Diziam que nas antigas casas dos senhorios, as escravas faziam estes doces e os colocavam nas janelas para tomarem consistência. Os meninos que brincavam na rua, aproveitavam a oportunidade de pegar alguns destes doces. Ao perceberem, as criadas gritavam “pede moleque”.

A chama da fogueira que nos envolvia, desgarrava qualquer desengano. O clarão tentava alcançar o céu estrelado. Meus entusiasmados sentimentos buscavam seus olhos plenos de alegria. O encantamento desnudava nossos anseios. Os beijos tímidos e escondidos. O calor de nosso afetuoso abraço.

Oh!, as juras de amor... Bem sabes que naquela busca, meu desejo se igualava ao seu, por este arrebatado amor.

Nunca esquecerei das festas de São Pedro. Foi numa destas festas que o nosso amor nasceu. Estavas tão linda e como dizia a velha canção: “só olhavas para mim. Tomei a liberdade e caneta. Escrevi estas palavras para marcar o quanto ainda me envolve a chama da fogueira de nosso viver.
Com amor !

Guaraci Alvarenga é advogado
Jundiaqui
Você vai
gostar de

A página será virada

Por Wagner Ligabó

FMJ oferece 120 vagas em vestibular para um dos cursos mais acessíveis do país

As inscrições vão até o feriado de segunda-feira e custam R$ 220,00

Pandemia e suspensão do tempo – Parte 2

Por Hildon Vital de Melo, o Camaleão Albino

O retrato do futebol brasileiro na pandemia

Por Marcel Capretz
Jundiaqui
Artigos assinados não representam a opinião do site. Esse conteúdo é de responsabilidade exclusiva de seu autor.