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Catulo, a alma sertaneja

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1 de junho de 2020
Por Renata Iacovino

Embora tivesse, em seu sobrenome, referência ao estado cearense (mudou-se aos dez anos para o Ceará), nasceu no Maranhão.

Em 10 de maio de 1946, aos 83 anos, faleceu no Rio de Janeiro, tendo deixado obra rica e genuinamente brasileira, narrando, em seus versos, histórias do sertão, por meio de uma linguagem simples, doce e ingênua, mas de métrica perfeita.

Alguns tinham facilidade em falar para o povo, no entanto, não sabiam escrever. Outros se expressavam de forma erudita, mas não se aproximavam da linguagem popular.

Catulo da Paixão Cearense foi o “maior criador de imagens da poesia brasileira”, segundo Mário de Andrade.

Compôs modinhas, choros e canções, e teve como alguns de seus parceiros Ernesto Nazaré, Anacleto de Medeiros e Antonio Callado. Dois de seus clássicos são "Ontem ao luar" (parceria com Pedro Alcântara) e "Luar do sertão", com João Pernambuco. Com relação a este, há um episódio interessante narrado por Lamartine Babo. O dito violonista organizou uma festa, na qual Catulo seria a convidado especial, no entanto, aproximava-se a hora do espetáculo e o poeta não aparecia. Pernambuco foi atrás de Catulo que, sem pestanejar, disse que não iria, pois havia se comprometido para uma serenata. O outro insistiu, repetindo que a casa estava cheia, ao que o vate respondeu: “Senhor Pernambuco, se a casa está cheia, a lua também está cheia e eu prefiro a lua, que é a minha inspiradora”.

Foi ele o responsável por popularizar o violão, levando-o das rodas de seresta aos conservatórios.

Como mencionou Afrânio Peixoto, alguns de seus poemas valem por livros inteiros. Em O azulão e os tico-ticos verseja: “Do começo ao fim do dia,/um belo azulão cantava,/e o pomar que atento ouvia/os seus trilos de harmonia/cada vez mais se enflorava./Se um tico-tico e outros bobos/vaiavam sua canção,/mais doce ainda se ouvia/a flauta desse azulão.”.

Um momento pitoresco: “Ai, Seu doutô! Seu doutô!/Quando o cabra disse o nome/da cabôca mais quirida,/mais fermosa do sertão,/se apagou-se os candiêro,/virou tudo num sarcêro,/foi tudo dos pé pras mão!”.

Renata Iacovino, escritora e cantora
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