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Leonardo continua vivo

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29 de fevereiro de 2020
Por José Renato Nalini

Quinhentos anos depois de sua morte, Leonardo da Vinci continua a ensinar a humanidade. Não foi apenas o pintor da Mona Lisa, nem da Última Ceia, que está no refeitório do convento de Santa Maria dele Grazie, em Milão. Esses quadros, o primeiro no Louvre, recebem milhões de visitantes a cada ano. Só que Leonardo não foi somente um gênio. Ele foi essencialmente humano e um autodidata. Não se formou. Não cursou faculdades. Foi conquistando sabedoria por conta própria. Por isso serve de guia até hoje. Mais hoje do que ontem, porque os tempos nos obrigam a ter múltiplos interesses. Ninguém pode garantir o amanhã.

Em sua magnífica biografia escrita por Walter Isaacson, encontramos alguns conselhos úteis para todos os que querem ser um pouco melhores a cada dia. O primeiro: Seja curioso, incansavelmente curioso. Curiosidade é também a característica de Albert Einstein, que escreveu a um amigo: “Não tenho nenhum talento especial. Sou apenas apaixonadamente curioso”.

Busque o conhecimento pelo simples prazer da busca. A utilidade nem sempre é a chave prazerosa que satisfaz nossa curiosidade. Conserve a capacidade das crianças de se maravilhar. Quem deixa morrer a criança que tem dentro d’alma perde muito de sua efêmera e frágil aventura pela vida.

Observe. Leonardo sempre observou, cuidadosamente, o mundo. Era a fórmula mais eficaz de alimentar sua curiosidade. Foi observando a natureza em seus detalhes, as feições humanas de todas as pessoas com as quais cruzava no seu dia-a-dia, que se tornou esse fabuloso artista, capaz de captar não só o visível, mas o interior dos seres humanos que retratou.

Comece pelos detalhes. A observação tem etapas e o começo está nos detalhes. Anotou num de seus inúmeros cadernos: “Se você quiser ter um conhecimento sólido sobre as formas de um objeto, comece pelos detalhes e não avance para o próximo se não tiver gravado bem o primeiro na memória”.

Veja o que está invisível. O que é visível, até os menos providos de inteligência conseguem ver. Ver por detrás das aparências requer talento.

Mergulhe no desconhecido. O que não se conhece aguça a curiosidade. Distraia-se. Leonardo nunca se preocupou em terminar suas propostas. Sonhava, idealizava, planejava. Chegar ao final não era necessário. Valiam mais as ideias e os projetos.

Respeite os fatos. É considerado um precursor da experimentação observacional e do pensamento crítico. Nunca foi teimoso. Ao verificar que sua imaginação não correspondia com a realidade, mudava os planos. Respeitava a realidade.

Procrastine. Pode se estranhar um conselho assim. Explicava: “Homens de intelecto elevado às vezes obtêm seus maiores avanços quando trabalham menos, uma vez que suas mentes, então, ocupam-se com as ideias e com o aperfeiçoamento dos conceitos aos quais posteriormente darão forma”.

Faça com que o perfeito seja inimigo do bom. Ao perceber que não atingiria a meta proposta, não hesitava em abandonar o projeto. Há muitos deles inacabados e que não interferiram na excelência daqueles que terminou. Pense visualmente. Para apreciar devidamente a beleza fundamental das leis da natureza. Evite fechar horizontes. Uma visão sábia é aquela que não se fecha na compartimentação. Faça com que seu alcance seja maior do que sua compreensão. Aprenda porque há questões que você nunca resolverá.

Alimente sua fantasia. Crie para você, não para os patrões. Trabalhe em conjunto. Faça listas. Faça anotações no papel. Isso porque, 500 anos depois de escritos, os cadernos de Leonardo ainda nos surpreendem e nos inspiram. Onde estarão nossos tuítes e posts no Facebook?

Esteja aberto ao mistério. Há mais mistérios do que respostas, em qualquer experiência humana.

Não é útil refletir sobre cada um desses conselhos?

José Renato Nalini é presidente da Academia Paulista de Letras
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