Jundiaqui
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Siqueirinha

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27 de janeiro de 2020
Por Guaraci Alvarenga

Bateu saudade de José Ricardo Siqueira, carinhosamente chamado de Siqueirinha. Nascido em Sertãozinho, veio adolescente para Jundiaí, a cidade que jamais esqueceu e fez dela sua última morada.

Seu traço pessoal, que mais se destacava, era o modo simples de ser e de viver. Era atencioso ao tratar com pessoas, humilde e dedicado. Nunca falava na pessoa do singular. Usava o plural e com isso abraçava o encantamento de tanta gente.

Conheci ao longo da vida pouquíssima gente com a retidão, a integridade, a honestidade de Siqueirinha. Tinha uma enorme capacidade de compreensão diante dos erros alheios.

Seu primeiro emprego foi de o conserto de máquinas de escrever da Olivetti. Tornou-se empresário no ramo de móveis para escritórios e indústria de cadeiras. Conquistou luz própria e tornou-se duplamente filho de Jundiaí.

Amava a cidade, onde criou uma linda família e arrebatado pelo seu Paulista F.C., paixão que o fez diretor e conselheiro em varias gestões.

Tinha uma generosa solidariedade com o imenso leque de amigos. Companheiro de pescarias, da turma do mercado do Vianelo, da torcida do Galo, dos amigos da Ponte São João, da Sexta Vagabunda. Amante da música popular. Era impressionante sua cordialidade.

Tive o privilegio de conviver com ele. Guardo uma doce imagem de um dos nossos encontros festivos. Foi num cair da noite, pelas terras santas de Itaici, naquelas terras que guardam o sussurro da suave brisa e todas as cores de uma pintura de Inos Corradin. O aprazível sítio das Angolas. A noite se apresentava vestida de uma agradável manta azul, salpicada de estrelas brilhantes. Neste luar, cantávamos a alegria de viver.

O último dos românticos nos reservou uma grata surpresa. Siqueira nunca deixou de mandar flores para a amada. Surgiu o amigo com uma cuidada timba. Alguém relembrando os anos dourados, tomou o velho violão, afinou as cordas e cantou. Os dedos mágicos do Siqueirinha começaram a bailar sobre a pele tensa da suave timba. As meninas se entusiasmaram. Um imprevisto coral se formou. Tropeçava-se nas letras, mas não se perdia o compasso. Percorri o olhar. Ao som da canção de Roberto Carlos: “como é grande meu amor por você”, vi uma lágrima furtiva escapar de seus olhos. Era a encantada maneira de expressar seu amor.

Desde sua partida em março passado, ficou a bela lembrança  de uma camaradagem engraçada e alegre que sempre alimentou nossos encontros. A homenagem ao morto é não esquecê-lo. Esse não se esquece. Siqueirinha sempre nos fará a doce companhia de amigo.

Guaraci Alvarenga é advogado
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