Silêncio na coxia
O teatro de Jundiaí se despediu nesta terça-feira (25) do produtor cultural, professor de dramaturgia e ex-diretor do Polytehama Wagner Nacarato, que, no começo de carreira, foi ator, inclusive estudando com Antunes Filho, e dirigiu peças. Ele tinha 64 anos e o enterro é nesta quarta-feira, às 10h, no Cemitério dos Ipês.
Em julho, ele postou no Facebook o que muitos amigos consideraram uma espécie de despedida, isso porque Wagner lutou bravamente contra um câncer, que por 15 anos acreditou que estava curado, mas a doença voltou durante a pandemia da Covid-19 e, como ele mesmo definiu, “de forma trágica”.
“Vim a esta vida e não perdi a viagem.
Vesti as armas de um cavaleiro.
Enfrentei minha jornada com a esperança de um dia encontrar minha coroa.
Nestes dias que me restam, a memória vem emoldurada de azul, de um rosa caído na grama, de um calor de inverno e cânticos em hebraico.
Se você fez parte desta jornada comigo, venha resgatar nossas memórias e nos alegrar por tudo recebido.
A vida tem instantes de beleza.”
Muitos foram ao seu encontro para mais um abraço desse artista que, entre outros feitos, deu aulas de teatro e ajudou a criar o Núcleo de Artes Cênicas e a promover festivais de teatro estudantil. Dirigiu espetáculos como “O Cavaleiro das Estrelas”, que estreou em 1997 no Polytheama, teatro que ele assumiu o comando em sua reabertura, em 1996, após 21 anos fechado. Outro momento mágico foi em dezembro de 2024, quando participou da reabertura do totalmente remodelado Centro das Artes, que por 11 anos também não funcionou.
Wagner contou que o começo foi com um empurrão do avô, que lhe presenteou com um teatro em madeira, com direito a cortinas e tudo. A família foi seu primeiro público. Segundo os alunos do Geva, o Grupo Escolar da Vila Arens é hoje rebatizado de EEPSG Dr. José Romeiro Pereira. Muitos outros vieram ao longo da carreira vitoriosa.
Ele fez Letras na USP e lançou um livro em 2022, “A Semente que dorme”, uma forma que o autor encontrou para primeiro expurgar e depois aceitar sua doença. Virou uma autobiografia, na qual descreveu as terapias convencionais e alternativas que buscou, exposição que acreditou ser um caminho para ajudar outras pessoas na guerra ao câncer.
Viajou por muitos países, leu muitos livros, viu incontáveis filmes e peças, mas levou um sonho embora: montar e dirigir “Isadora”, peça que deixou escrita sobre a dançarina Isadora Duncan, quem ele dizia ter ajudado a repensar sua vida como artista no mundo.
Aqui, diferentes momentos de Wagner Nacarato nos últimos anos, em registros de Edu Cerioni para o JundiAqui:

O nome Wagner Nacarato batiza a sala de teatro da Escola Divia Providência, onde deu aulas por 35 anos.

