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A humanidade e sua ambiguidade

Jundiaqui
30 de março de 2020
Por Wagner Ligabó

Oração alimenta a alma; comida sacia a fome. O isolamento salva vidas, mas, infelizmente, leva à claustrofobia social. Sem moeda de troca nada se compra, nada se paga.

E é aí que a linha sinuosa desta maldita virose vai colocando cada vez mais curvas sinuosas nesta perigosa estrada. Depressão, irritabilidade, tristeza e pessimismo. Desemprego. Barriga vazia. Não sei como será.

O que se deseja com a quarentena é que a disseminação viral seja mais lenta, mas que ela será completa será. Ela é comunitária e ponto. Todos seremos expostos à ela em certo momento. Adoecer será outra história.

A atenção atual é necessária, mas que a mortalidade por ela causada em pessoas com menos de 50 anos (mundial e atual) é 0,4% não se pode contestar. Nossa mortalidade atual no BRASIL está em 2,4% e é motivo que inspira alento e nos faz vislumbrar um horizonte de paz não distante.

Todo cuidado atual é pouco, mas quando se olha o problema como um todo várias análises são necessárias. Vamos salvar vidas, mas não se pode passar fome. Uma ambiguidade difícil de conciliar nos dias de hoje.

Nas grandes crises por coronavírus, como a SARS na China em 2002 e a MERS no Oriente Médio em 2012, não houve isolamento. Houve sim os cuidados de higiene (lavar muito as mãos), evitar aglomerações, mas com as pessoas circulando normalmente. Tiveram mortalidade bem maior (0,8% e 34% respectivamente) em comparação com a previsão do COVID atual (4% em média), mas não foi devido à falta de ficar em casa nos seus surtos que eles tiveram mortalidade maior. Eram mais graves mesmo.

Ou seja: por mais difícil de entender, o corona atual é mais bonzinho que os outros. Só que ele é bem mais ligeiro na transmissão e por isso tantas mortes em idosos de uma só vez (seu alvo preferencial) e a ordem de ficar em casa é necessária. Então fica a mensagem: idosos se resguardem! Mais jovens: todo cuidado para não contaminar seus velhos! Eles são quem correm o risco!

Mas a vida tem que seguir. Tivemos muitos surtos de gravidade no planeta, mas passaram e este também passará.

A humanidade tem suas estatísticas e isto me faz refletir. As guerras ao longo do tempo mataram quase 500 milhões de pessoas. O crime violento matou 55 mil pessoas o ano passado no Brasil. Por nada disso se solicitou isolamento para resolver o problema.

A conclusão a meu ver é a seguinte: todo este cuidado atual se deve porque a virose pegou a todos indiscriminadamente. Ricos e pobres. Afetou o eixo mundial.

Nunca se pensou em parar o mundo pela fome na África, pelas balas perdidas no Rio, ou as guerras mundo afora. Matar jovens da minha geração na guerra do Vietnã nunca incomodou os líderes americanos. As crianças e civis inocentes mortas nas favelas também não. Agora, quando os barões estão na linha de tiro, pé no freio global!

E agora também não falta dinheiro mundo afora. Abriram o cofre. Aqui apareceu grana para abrir e reabrir hospitais e o SUS está em alta: é a joia da coroa!!! Peça quanto quiser! Por que só agora???

O homem não respeita o homem. Já para o invisível vírus ele se ajoelha. Paradoxal, mas real.

Merece melhor reflexão, não acha?

Wagner Ligabó é médico e vereador
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