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As violências sofridas pelas mulheres

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20 de julho de 2021
Por Kelly Galbieri

Que saudades... Deixei de escrever por conta da correria dos últimos meses na minha vida e agora que, parece que as coisas estão voltando ao normal, resolvo voltar a rabiscar e penso: ”vou falar de quê”?  Só me vem uma coisa à mente. O tema parece ser o mesmo dos últimos anos: a violência sofrida pelas mulheres. E acho que nem poderia ser outro, afinal só nestas últimas semanas assistimos estarrecidos alguns casos que não podem passar impunes.

Podemos começar falando do adolescente que ateou fogo em uma mulher trans próximo ao terminal de ônibus de Recife. No dia 24 de junho, um menino de apenas 15 anos (assim se ouviu dizer) colocou fogo em uma mulher trans que morava na rua, tentando fugir em seguida. Foi contido por policiais militares e autuado em flagrante por “ato infracional análogo a homicídio doloso tentado”.  Ato infracional por se tratar de um garoto menor de idade; se já tivesse 18 anos de idade, seria crime.

Há tanto a ser dito neste caso... A começar do garoto que cometeu esta barbárie. Imaginemos o que ouviu durante toda sua vida sobre travestis e transexuais, qual era o respeito que deveria ter por esta comunidade? Ele nasceu com este preconceito? Ou já estamos acostumados a ouvir o aumento da estatística de morte de trans e nem nos damos conta mais da importância dessas vidas?

Esta mulher de apenas 33 anos de idade foi mais um número na triste estatística brasileira. É exatamente esta a expectativa de vida das mulheres transexuais e travestis no nosso país (35 anos de idade). Um absurdo se compararmos com a expectativa de mulheres cis, que é de 80 anos. Ora, isso tudo por intolerância em um país que é recorde em acessos a vídeos pornôs de pessoas trans. Um contrassenso. Querem a mulher transexual para o sexo, mas logo depois a matam.

Tão grave quanto este crime assistimos esta semana um DJ espancando sua ex-esposa na frente da filha de nove meses, da mãe da moça e de outro rapaz. E ninguém tentou impedir!!! Obedecendo à máxima de que “em briga de marido e mulher, ninguém mete a colher”. Não podemos mais aceitar este tipo de fala. Nós, mulheres, precisamos de apoio de toda a sociedade sim, sempre!

Vale dizer que a “sorte” desta moça é que tudo foi gravado, pois se ainda tivesse que provar a violência, nova batalha se iniciaria. Tendo essa repercussão já não foi possível a prisão do agressor, uma vez que o boletim de ocorrência foi feito dois dias depois do ocorrido e não se caracterizou o flagrante. Imaginem se nem o vídeo tivesse como demonstração da veracidade da denúncia. Mais uma violação de direitos que ficaria impune.

O difícil de ser mulher no nosso país (não que em outros seja fácil, mas este é meu lugar de fala) é que estamos sempre correndo atrás do que é nosso, tendo que provar que aquilo é nosso, lutando para que ninguém nos tire o já conquistado e ainda ter que demonstrar que somos capazes de tudo!

Mas tem algo bom nisso tudo...a cada dia, mostramos e demonstramos que estamos cada vez mais unidas e que vão ter que nos respeitar, nem que seja no grito!

Kelly Galbieri é assessora de Políticas para Diversidade Sexual na Prefeitura Municipal de Jundiaí
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