Jundiaqui
Jundiaqui

Como se comportam os áulicos

Jundiaqui
7 de agosto de 2019
Por José Renato Nalini

O poder atrai de maneira mais intensa os medíocres. Seres que costumam vegetar em torno ao detentor de qualquer parcela, mínima que seja, de autoridade. Em tempos de acirramento dos ânimos, de polarização entre visões antagônicas de enxergar o governo e sua área de influência, é bom recordar ocorrências históricas já vivenciadas por este Brasil.

Pedro II foi um Imperador respeitado no mundo inteiro. Poliglota, erudito, democrata. Governou durante longo período e o Brasil enfrentou vicissitudes, inclusive a Guerra do Paraguai, tendo a comandá-lo um homem sereno e flexível.

Com a abolição da escravatura, o poder mais prejudicado resolveu vingar-se, apoiando a República. A chamada “proclamação” de 15.11.1889 foi um episódio menor, um gesto revoltoso que o Marechal Deodoro da Fonseca não considerava como suficiente para destronar o Imperador, a quem devia favores. Forçado a atuar, aceitou o fardo a contragosto. Não foi dele a ordem para escorraçar o Imperador e sua família, no mais abjeto gesto de ingratidão brasileira já oficialmente perpetrado.

Aqui em São Paulo, o governador era o Brigadeiro Couto de Magalhães, que recebeu a notícia e logo viu o palácio deserto. Permaneceu em sua escrivaninha à espera do que aconteceria. Chega Rangel Pestana, que anuncia a derrubada do Império e a nomeação pelo povo da Junta Governamental que responderia por São Paulo.

Couto de Magalhães enunciou os nomes de confiança, nomeados em comissão pelo Imperador e que estariam a postos para reagir. A cada indicado, a resposta de Rangel Pestana era a de que ele já aderira à República. Ao verificar que não havia mais com quem contar, Couto de Magalhães apresentou os punhos, com as mãos fortemente cerradas: – “Aqui estão os punhos, senhores! Ponham as algemas!”.

Retrucou Rangel Pestana: – “Mas não se trata de uma deposição pela força. Não é para isso que aqui estamos, Senhor Brigadeiro. Queremos a entrega do Governo pelo respeito à soberania nacional”.

Couto de Magalhães: – “Não respeito governos de violência. Só não resisto porque não me resta um só contingente para isso já lhes disse, senhores: aqui estão os punhos. Tratem de pôr as algemas!”.

Rangel Pestana foi acometido de uma síncope e conduzido para uma saleta próxima. Enquanto isso, fora do Palácio, a multidão aguardava a saída do Brigadeiro, disposta a vaiar. Quando surge no topo da escadaria a figura pálida de José Vieira Couto de Magalhães, ouviu-se um ensaio de vaia. Mas a seu lado, surgiu, esguio e severo, Prudente de Morais. Como narram Silveira Peixoto e Raimundo de Menezes, “foi como água na fervura. Cessou tudo, bruscamente. Nem um pio sequer. Abriram-se alas. Descobriram-se todos. Pelo braço de Prudente, Couto de Magalhães atravessou o jardim e tomou a carruagem, que o aguardava. E rumou tranquilamente para a sua chácara, lá pelas bandas da Luz, junto à Ponde Grande”.

Sem a participação de alguém equilibrado, sereno, respeitado, a fúria tomaria a turba e a multidão é capaz de todos os horrores.

Mas os áulicos já estão festejando a troca de guarda e rendendo ao novo que assume a mesma vassalagem que ainda há pouco prestavam a quem foi expungido da vida política.

José Renato Nalini é Reitor da Uniregistral, docente universitário, palestrante e autor de “Ética Geral e Profissional”, 13ª ed., RT-Thomson Reuters
Jundiaqui
Você vai
gostar de

Jundiaí afrobrasileira se revela em diversos atos agora em novembro

Ponto alto é a Marcha da Consciência Negra, no feriado municipal do dia 20

Semana do Cooperativismo movimenta Coopercica até domingo

Lojas estão arrecadando alimento, agasalho e ração para ajudar diferentes entidades

As formiguinhas que ajudam a carregar a Festa da Uva

São cerca de mil pessoas trabalhando para tornar a festa inesquecível para milhares de visitantes

200 crianças no palco mandam boas vibrações a Inos Corradin

Casa da Fonte e escolas fazem espetáculo em homenagem ao ítalo-jundiaiense dia 12
Jundiaqui
Artigos assinados não representam a opinião do site. Esse conteúdo é de responsabilidade exclusiva de seu autor.