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Como sobreviver decentemente

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19 de fevereiro de 2018
Por José Renato Nalini

Há poucas décadas, a receita dos pais à criança e mesmo ao jovem era: – “Estude e as portas se abrirão!”. Hoje não há certeza absoluta de que basta a escola para propiciar sucesso. Pode-se afirmar que o recado continua certo: “Estude!”. Mas é preciso acrescentar: – “Não se satisfaça com aquilo que for transmitido em sala de aula!”.

O conhecimento é algo dinâmico, o acervo de informações cresce a cada segundo. Diz-se que a cada 18 meses dobra a quantidade de dados disponíveis. Sim, disponíveis e acessíveis. Nunca foi tão fácil garimpar e encontrar, no mundo web, a sabedoria universal.

Por isso é que o desafio das novas gerações é potencializado. A quem mais é dado, mais será cobrado. O mundo estável dos empregos está desaparecendo.

Daqui a alguns anos, as pessoas terão de mudar de ramo em intervalos cada vez menores. Adaptar-se aos novos tempos. Acostumar-se à extinção de profissões, assim como já sumiu a telefonista, o funcionário do mimeógrafo, o ascensorista, o cobrador. Daqui a pouco desaparecerá o motorista. Tudo aquilo que a automação puder fazer de maneira mais eficiente e rápida, será subtraído ao ser humano. E este precisa sobreviver dignamente.

Há pistas no ar e quem tiver interesse encontrará fórmulas de subsistência. Seria interessante um passeio pelas gigantes que hoje dominam o mercado midiático e são consideradas empresas vencedoras. Falo da Microsoft, da Amazon, da Teslos e da Google.

O vice-presidente sênior de operações de pessoas do Google desde 2006, Laszlo Bock, sinalizou o tipo de pessoa que a empresa procura na hora de contratar.

São quatro coisas que eles observam: a primeira é chamada de “habilidade cognitiva geral”, que significa inteligência, curiosidade e capacidade de aprendizado.

Segundo: não interessa onde o candidato estudou. Google não se importa sequer se o interessado frequentou escola. O quão brilhante a pessoa é, não tem a ver com a escola, diz Laszlo.

Depois, vem a liderança emergente. Um profissional que ao enxergar um problema, dá um passo à frente ajuda a resolver e depois dá um passo atrás e deixa outra pessoa comandar. Isso é o que eles chamam “Googleness”. É preciso ter consciência, fazer o que diz que faria, ter preocupação com o ambiente e a humildade intelectual para admitir quando está errado.

Por último, a expertise. Quem possui as características anteriores, muito provavelmente aprenderá o que precisa para permanecer no selecionado e privilegiado time contratado pelo Google.

Por isso cresce a responsabilidade dos educadores, dos pais e de todas as pessoas de bem. A educação é a única alternativa para um Brasil em busca de um destino compatível com os nossos sonhos. No momento em que todos, sem faltar ninguém – governo, empresa, mídia, universidade, Igreja, ONG, pessoas físicas capazes de injetar recursos (não necessariamente materiais, mas em termos de atenção, carinho, devotamento, interesse real etc.) assumirem seriamente o dever que o constituinte cometeu, então as coisas serão diferentes.

Não custa repetir. O óbvio deve ser reiterado até a exaustão ou até que os ouvidos moucos se liberem da cera da insensibilidade, da inércia ou do egoísmo: educação é direito de todos, mas é dever do Estado e da família, em colaboração com a sociedade. É o que preceitua o artigo 205 da Constituição da República.

Não há ninguém dispensado de oferecer para o projeto educacional o seu talento, a sua expertise, o seu patriotismo. Sem educação de qualidade o Brasil nunca chegará a ser a Nação com que sonhamos.

Não é falta de dinheiro. Gasta-se muito em educação, mas nem sempre o resultado é o esperado. Gestão burocratizada, o cipoal normativo que milita contra a inovação, mas mantém olhos vendados para a profunda mutação universal, fragmentação da família, declínio dos valores, descrença em tudo o que um dia foi considerado relevante. Tudo contribui para manter o sistema educacional num patamar muito distante da retórica ufanista de que somos capazes no discurso edificante, desacompanhado de práticas que o concretizem.

Ainda é tempo. Sempre é tempo quando se trata de educação. Ajamos!

O jundiaiense José Renato Nalini é secretário estadual de Educação e docente da Uninove
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