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Como te afeta a Covid-19?

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5 de junho de 2020
Por José Renato Nalini

A morte alheia não costuma produzir metamorfoses nos sobreviventes. A mais pungente dor – a perda de um filho – não ocasiona, como regra, a subsequente morte da mãe. O número assustador de perdas para o Covid 19 não passa, para quem não perdeu um ser amado, de estatísticas. Todavia, um grupo de pessoas sensíveis reagirá à catástrofe de maneira a alterar sua forma de viver. Tentará adotar o conceito possível de sabedoria de vida, como “arte de conduzir a vida do modo mais agradável e feliz possível”, como pensava Shopenhauer.

Se isso vier a acontecer, será o lado positivo da pandemia. Mostrar à humanidade o quão indefesa ela é, o quão frágil e o quão desvaliosa é a vida, quando surge um inimigo insidioso e cruel como esse coronavírus.

Por milagre, as pessoas que sobreviverem poderão se tornar mais generosas e compassivas. Compreenderão as idiossincrasias alheias e terão a humildade suficiente para reconhecer que ninguém é perfeito. Todos temos falhas, fissuras, máculas e fraquezas. Quem olhar com lupa vai detectar um infinito de defeitos no próximo. E se o portador da lupa for o próximo e o alvo nós mesmos, o encontro não será tão diferente.

Sonhe-se que, a partir de um ponto de inflexão, a contaminação comece a diminuir. As internações também e, por consequência, reduzir-se-ão as mortes. E uma nova humanidade surgirá, capaz de levar a humildade a sério. A proximidade da morte deveria servir para lembrar que ela é inevitável. Pense-se que de nada adianta aferrar-se a bens materiais, que ficarão aqui. Num futuro, próximo ou remoto, estaremos todos mortos. Se isso penetrasse na consciência de cada um, talvez ocorresse o inesperado: o desapego ao supérfluo e o apreço ao essencial. E o que é essencial?

Essencial é não se envergonhar de dizer “eu te amo”, desde que tal sentimento seja verdadeiro. A capacidade de perdoar, de esquecer ressentimentos. Aproximar-se daquelas afeições que nos desapontaram e em relação às quais quisemos desligar a sua existência de qualquer relação com a minha. Olhar cada ser humano como alguém merecedor de respeito. Converter o convívio em algo mais harmônico, não me separar da polidez e da compreensão, exercitar a compaixão, a misericórdia, a ternura e o amor.

É disso que o mundo precisa. Uma peste pode servir para enternecer os corações empedernidos, se não nos levar primeiro.

Pode ser utópico acreditar que o mundo será outro e essa nova identidade representará um salto qualitativo para a humanidade. Mas não custa sonhar. Sem alimentar os sonhos, a travessia de períodos críticos pode se tornar uma carga demasiadamente pesada. Aliviemo-nos dela, imaginando que somos criaturas destinadas à perfectibilidade e que só depende de nós prosseguir na senda do auto aprimoramento.

 
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