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Dia das Mães na pandemia

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11 de maio de 2020
Por Lucinha Andrade Gomes

Tenho uma certa experiência, digamos assim, em lockdown. Há três anos, ficamos trancados em um quarto de hotel em Houston, somente com a roupa do corpo e pouca alimentação, no evento do furioso Harvey que devastou o Texas e outros estados norte-americanos - contei aqui essa história em diferentes capítulos aqui.

Quando digo um quarto, não se anime, não foque no famoso filme “9 Semanas de Amor’, mas uma semana de pura tensão, apreensão, fome e, claro, meu bom humor habitual e minha fé de que sempre tudo vai dar certo! Sobrevivemos e aprendemos muito!

Agora, estamos isolados em nossa casa, desde 16 de março, assim como muitos brasileiros que seguem e podem seguir o isolamento social.
Confesso ser muito mais fácil aqui do que em Houston! A casa é grande, geladeira cheia, o bairro é calmo, sinal da internet muito bom, Netflix disponível, livros Amazon, JundiAqui, amigos e filhos conectados... Mas, ainda assim, que saudades da rua, dos projetos da OAB, Rotary, do Clube da Lady, do Clube Jundiaiense, do Cine Art, do café no shopping, da Casa Cica, dos encontros das Academias de Letras, de festas! Nossa, que saudade de viajarrrrr...

Domingo de Dia das Mães e nós, aqui, encarcerados, sem direito a uma feijoada na casa do Eduardo Seixas e Lilian Kuergten, tradição há mais de uma década. Os amigos são nossa família.

Acordo, confesso, melancólica, saudades de minha mãe, da filha, de um tempo de infância. Este saudosismo não me cai bem! Ouço o interfone (não moro em condomínio fechado) e vejo pela tela, uma jovem com flores. Pronto, já estou felicíssima, abro a porta, usando máscara, recebo o lindo arranjo de antúrios e abro o cartão: Feliz Dia das Mães, beijos, beijos, Bento! Uau, sou mesmo abençoada, a nora Carol Saraiva fez a delicadeza. De repente, meu mundo já estava ultra colorido.

Decido colocar a mesa, toalha de linho branco, louça branca, as flores, as taças de espumantes, copos, talheres etc. Ficou linda! Três lugares, à espera do filho Luís Claudio.

Logo, de manhã, eu já havia reservado o prato no Ifood, restaurante Cais Canoa, pois com saudades da praia, vem a saudades dos frutos do mar. Tudo planejado! O almoço deveria ser entregue às 12h30.

Para distrair a pandemia, fiz escova no cabelo (salve a rotativa), coloquei uma roupa de festa (rsrs), fiz um make-up leve e fui assistir à live da Maria Rita. Delicioso! E tudo ia maravilhosamente bem para um Dia das Mães, mesmo este de quarentena, em meio à pandemia da Covid-19, ou seja, em isolamento!

Meio-dia e meia, o filho chega, ai que alegria, vou rastrear o pedido... respirem fundo para o inusitado: abro a plataforma Ifood e leio "Pedido cancelado". Você está com fome? Temos outros restaurantes!"

Eu com a taça de espumante na mão, olhei para os dois e disse: "E agora?" Sou sofrível na arte de cozinhar, domingo das mães impossível pedir algo para a Ana Dias, Sandra Romansini ou Ricardo Savoy, devem estar atropelados de pedidos... rapidamente, meu filho disse: "Vou procurar um frango assado e uma massa e já volto!"

Eu fiquei meio estática, mas relaxei e já imaginei um almoço frugal água e espumante (rsrs). Eis que retorna o Lu com o frango assado e talharim do La Távola, era o último frango!

A Marcela faz uma chamada no WhatsApp e começamos a contar e a rir juntos, pais e filhos. Do camarão ao frango assado. A vida é assim mesmo: imprevisível. Por esta razão, adotamos a seguinte frase em nossa família: "É o que temos para o momento!"

Durante o almoço, o frango assado e o talharim me levaram à minha casa na infância, nos nossos almoços e na casa da minha sogra italiana. Os laços de amor materno são atemporais, prosseguem na eternidade e todos aquele desencontro demonstrou a nossa cumplicidade familiar.

Durante o almoço, para não perder a fama eu pedi:

- Alguém pode me servir mais camarão? Quero a moranga junto! Ah, quero aquele maior que está decorando o prato, pode ser?

Finalizado o domingo, recebo do Correio um espumante, meus filhos sabem como agradar a mamãe! O espumante chegou, mas o camarão escafedeu-se!

Em tempo: o Ifood pediu desculpas e enviou um cupom para compras futuras, mas o restaurante Cais Canoa fingiu que nada aconteceu!

Lucinha Andrade Gomes é advogada e ex-presidente do Clube da Lady
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