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Dormindo com a barata

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23 de outubro de 2020
Por Lucinha Andrade

Calma leitor! Não estou delirando ou criando uma nova moda, horripilante, por sinal, apenas irei descrever a sensação de angústia ao passar uma noite com o inseto no meu quarto.

Quando fico sozinha, em casa, confesso que sou medrosa, gato escaldado tem medo de água. Estava cansada e fui deitar cedo, tranquei a porta com chave (sic), levei água, livros, Netflix e um inseticida, caso algum intruso insistisse em passar a noite a meu lado.

Tudo correu como eu gosto: li um pouco, revi o filme de Frida Kahlo e, finalmente, apaguei as luzes. Fechei os olhos e o barulho de algo movendo atrás da minha cama iniciou a minha aventura.

Acendi o abajur e pensei: acompanhada, mas por quem? De repente, ela, imponente sobrevoou a minha cama, creio que foi para mostrar a agilidade para a fuga. Céus, uma barata e eu, a noite toda?

Em um impulso de guerra, peguei o inseticida aerossol e persegui a danada que voava, para lá e para cá, até que foi descendo atrás da minha cama. Impossível ver o estado da espécie abatida ou apenas adormecida?
Claro, você pode ser o tipo de leitor que acha estúpido temer uma barata, racionalmente concordo, mas também pode ser uma leitora temerosa como eu, infelizmente as mulheres tendem mais a este estado de medo, mas há bravas exceções. O fato é que parecia não ter como eu solucionar a questão...

Resolvi, então, apagar as luzes, cobrir a cabeça com o lençol e fazer o que mais gosto: inventar histórias, para consolar ou voar, mais que a barata. Comecei com quadros para minimizar o meu problema: uma barata não é nada, comparada à via crúcis dos refugiados! Alegre-se, você não está fugindo da Síria! Não está à deriva em um bote lotado rumo à Grécia! Ah, que alegria a barata não é o aedes aegypti, você não irá ser contaminada, ufa! Veja só, você não está assistindo as barbáries do Congresso Nacional, do STF e mais: você não faz parte de nenhuma C.P.I., aquelas inúteis que sempre acabam em vergonha nacional; tem ainda pior: não está internada com Covid-19, nossa, que alívio! Agora, sim, você não terá que enfrentar um hospital público amanhã cedo, a barata não morde, não pica e nem arranha! Livre do SUS! Já comecei a achar que a barata não é tão ofensiva...

Veja que libertação, você ao dormir, não fica exposta às propagandas políticas, alívio geral! Mudo de posição na cama e percebo que estou mais relaxada. Prossigo, com a maior alegria ao constatar que não estou no supermercado, chocada com os preços dos alimentos básicos; ah, tem pior: não estou na fila imensurável dos desempregados, com filhos para criar! Também não aguardo na fila do INSS por uma perícia médica ! Obrigada, Senhor!

Fui tomada por um estado tão grande de contentamento, que senti penalizada pela tentativa de homicídio: amanhã, se houver corpo, vou velar a barata!

Lucia Helena de Andrade Gomes é advogada, professora-doutora em Educação: Currículo
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