Jundiaqui
Jundiaqui

Refletindo

Jundiaqui
8 de agosto de 2017
Eusébio dos Santos

O medo é, com certeza, o principal estado emocional, ele te faz estar atento, ter limites, pensar sem agir.

Com medo de sair por aí gritando bobagens, tenho procurado trilhar caminhos já construído e neles encontrar o lastro de suporte necessário para as minhas razões, meus incômodos, meus sonhos.

Entre os achados compartilho com vocês leitores o texto abaixo que lida com lucidez absoluta sobre as muitas fases de aprendizado que se tem no período de uma vida e, principalmente, com as amarras do envelhecer.

"O Tempo e as Jabuticabas", de Rubem Alves

Contei meus anos e
Descobri que terei menos tempo para viver
Daqui para a frente do que já vivi até agora…
Tenho mais passado do que futuro…
Sinto-me como aquele menino
Que recebeu uma bacia de jabuticabas…
As primeiras, ele chupou displicente…
Mas percebendo que faltam poucas,
Rói o caroço…
Já não tenho tempo
Para lidar com mediocridades…
Não quero estar em reuniões
Onde desfilam egos inflados…
Inquieto-me com invejosos
Tentando destruir quem eles admiram,
Cobiçando seus lugares, talentos e sorte….
Já não tenho tempo
Para conversas intemináveis…
Para discutir assuntos sobre vidas alheias
Que nem fazem parte da minha…
Já não tenho tempo para administrar
Melindres de pessoas que,
Apesar da idade cronológica,
São imaturas…
Detesto fazer acareação de desafetos
Qua brigaram pelo majestoso
Cargo de secretário geral do coral…
"As pessoas não debatem conteúdos…
Apenas rótulos…"
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos…
Quero a essência…
Minha alma tem pressa…
Sem muitas jabuticabas na bacia
Quero viver ao lado de gente humana, muito humana…
Que sabe rir de seus tropeços…
Não se considera eleita antes da hora…
Não foge de sua mortalidade…
Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade…
O essencial faz a vida valer a pena…
E para mim
Basta o essencial!

Com reflexões como esta é que vou firmando minhas convicções para poder dizer que assim é o viver, basta o essencial, o restante é a parte que nos transforma em pessoas inflexíveis, que buscam desesperadamente ganhar o que não precisam, muitas vezes apenas para dizer: “como a minha alma é miserável”.

Eusébio Pereira dos Santos é administrador de empresas e coordenador do Celmi

 
Jundiaqui
Você vai
gostar de

Música, amor e política

Por Renata Iacovino

Crônica da cozinha – Parabéns para você

Pelo chef Manuel Alves Filho

Recordista Chupa que é de Uva desfila na marginal das Valquírias sexta

Bloco de Val Junior vai ter como novidade a banda Mikaloka reforçada por Tom Nando e Zezé Ambrósio

Tem estreia no Happy Hour do Maxi: a vez de Mayara Manga

Cantora e violonista se apresenta nesta terça-feira a partir das 19 horas
Jundiaqui
Artigos assinados não representam a opinião do site. Esse conteúdo é de responsabilidade exclusiva de seu autor.