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Há muito a ser feito

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4 de janeiro de 2018
Por José Renato Nalini

A mais angustiante das urgências contemporâneas é a questão climática. A humanidade negligenciou o cuidado com a natureza e o resultado é que as ameaças remotas chegaram e escancararam nossa fragilidade. Não é para daqui a cem anos que colheremos o fruto de nossa insensatez. É para já!

Há quem sustente que a superação da insânia ultrapassou os lindes do tolerável. Não há mais o que fazer. Mas o otimismo realista mantém sua reserva de esperança. Difícil preservá-la quando se constata que o Brasil concede isenção fiscal para as petrolíferas, empresas condenadas ao desaparecimento por uma simples razão: combustível fóssil é finito e nefasto. Os Emirados Árabes investem fortuna em busca de matrizes energéticas sustentáveis, embora detentores de grandes reservas de petróleo. Aqui, abrimos as fronteiras para grupos encarados com resistência na origem e fazemos o Tesouro perder 30 trilhões em 40 anos! Coisa de País rico…

Para compensar, anistiamos os infratores ambientais, fazendo o depauperado Brasil deixar de recolher de imediato 38 bilhões de reais. Tudo em nome de uma governabilidade que precisaria ser rediscutida desde a base. Não pode dar certo um sistema com quase quarenta partidos políticos. Existem quarenta ideologias, quarenta concepções do que deva ser um governo?

Enquanto crianças desenham e escrevem para defender a ecologia, fazem hortas em escolas públicas, o desmatamento continua, a poluição absoluta está na atmosfera, no solo, na água. Pior ainda, está na mente poluída que não consegue enxergar a verdade: quem corre risco é a vida. Não é o Planeta. Este poderá continuar a existir na nossa humilde galáxia, considerada a imensidão do Cosmos. Mas prescindirá da humanidade ingrata para permanecer no Universo.

Para os que ainda se comovem, é importante mencionar que o mercado, o soberano absoluto no capitalismo selvagem, não deixou de considerar a ecologia como parceira capaz de gerar lucro. A Amazon, por exemplo, a gigante da inovação no século 21, produz casas contêiner de 30 metros quadrados. Custa 36 mil dólares e o frete leva mais 4.500 dólares, ou seja, cerca de 128.800 reais. Totalmente concluída, com quarto, cozinha e sala de estar, além de acabamento completo, aquecedor, ar-condicionado, chuveiro, pia, eletrodomésticos e conexões para encanamento, água e eletricidade. Está dentro da concepção de economia de espaço. Não é necessário muito para sobreviver com decência.

Outra alternativa é a casa flutuante edificada com material reciclável. Projeto do italiano Giancarlo Zema, é chamada “WaterNest 100” (foto), é uma residência flutuante construída com material 100% reciclado, ventilação natural e 60 painéis solares que asseguram a energia necessária. Área total de 100 metros quadrados, comporta uma família de até quatro pessoas. Está à venda por 500 mil dólares.

Enquanto o Brasil maltrata o ambiente, relega o pioneirismo que foi saudado no mundo inteiro quando contribuiu para a elaboração do conceito de sustentabilidade e produziu o lindo preceito do artigo 225 da Constituição da República, a Rússia dá o exemplo. Na remodelação de Moscou para mostrar ao mundo um país moderno por ocasião da Copa de logo mais, construiu o Zaryadye Park. É um espaço que simula artificialmente cada um dos climas típicos daquela potência territorial que é a Rússia. Nele tudo tem lugar: estepe, floresta, zonas úmidas e tundra. Um consórcio internacional projetou um sistema de pavimentação personalizado com pedras de piso verde e cinza, que se mesclam à paisagem natural e deixam os limites indefinidos, transformando a experiência dos visitantes em algo singular e imprevisível.

No momento em que as previsões de crescimento acelerado da população que deve chegar a 9 bilhões em 2050, dois terços da qual a residir nos grandes centros urbanos, é preciso ser inteligente e usar com a racionalidade, hoje escassa, os esgotados recursos naturais.

Haja discurso para provar às novas gerações que a nossa foi cuidadosa, prudente, racional e sábia no trato desse patrimônio que não foi construído p elo ser humano, mas que ele sabe como ninguém destruir.

José Renato Nalini é secretário da Educação do Estado de São Paulo 
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