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Idosos na pandemia

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29 de março de 2020
Por Lucinha Andrade Gomes



Vamos iniciar nosso diálogo com uma 'trip': volta ao passado.

No meu tempo de criança (falo do pessoal hoje na faixa dos 60) não havia crise de identidade entre as gerações: as crianças eram crianças, brincavam nas ruas, teciam ilusões, folia ao ar livre. Tudo isso era possível. Adolescentes eram adolescentes com ares de mutantes e rebeldias, relativamente controladas. E os idosos, valia já para os pais e mais ainda para os avós, eram identificados pela postura, forma de vestir-se, falar etc. Não havia conflito ao identificá-los!

Nossas mães poderiam ser lindas, mas nunca eram confundidas como nossas irmãs. Havia uma dicotomia na aparência entre jovens e idosos.

O tempo passou, a tecnologia avançou, o conhecimento se espalhou e uma nova geração de idosos floriu. Para o bem e para o mal.

Os aspectos positivos possibilitaram o nascimento de uma geração 'envelhescente': intelectualmente ativos, com práticas esportivas e alimentação saudável.

Neste contexto para uma parcela da população que pode usufruir dos benefícios da tecnologia, a linha divisória para o ingresso na terceira idade só ficou clara na idade cronológica. Na linha social, cultural, psicológica prosseguimos desavisados que somos idosos.

Construímos o nosso dia a dia com imensa energia, com sonhos, disposição para o trabalho, seja voluntário ou não. Enfim, quebramos o paradigma dos avós jogando dominó ou fazendo tricô - curtimos nossos netos com olhar de vanguarda!

Obviamente, as mudanças físicas são implacáveis: é impossível chegar aos 60 com rosto de 15, não há botox que resolva o desejo, se houver! A coluna reclama, os óculos são acessórios habituais, mas quem liga? Estamos plenos, e nos esquecemos da terceira idade (nunca a melhor idade, por favor não insultem nossa inteligência!).

De repente, sou convocada a assumir meu status de idosa: o coronavirus, este mal desconhecido e mortífero, pelas estatísticas atinge e mata muito mais os idosos. O que fazer? Stay Home baby! Stay home and be happy! Em resumo: FIQUE EM CASA!

Mas lembre-se de que sempre há uma adversativa... todos devem ficar em isolamento social para que nós, os idosos, possamos viver? Ou não?

Eis que leio que podemos desafiar o STAYHOME, que os jovens podem ir às ruas, afinal alguns idosos já viveram muito, já têm doenças, e o Brasil não pode sacrificar a economia para salvar 5 ou 7 mil velhinhos. Oi? Será que tive um pesadelo diante da TV em pronunciamento em rede nacional? Fiquei em dúvida, mas a mensagem foi essa, sem a desculpa de ser fake news.

E agora José? Como será possível isolamento dentro das comunidades? Haverá hospital para todos? Porque esse vírus é letal e também erra nas contas, pegando quem tem menos de 60, viu!

Perplexa, continuarei em casa, torcendo, orando para que seja apenas uma gripinha, embora a ciência diga o inverso.

Oxalá, os idosos não tomem consciência das alegações que vejo como aberrações que partem de quem deveria nos proteger sem distinções. Enfim, é doloroso ser visto como um fardo!

Como uma eterna poeta que vive de sonhos e esperanças de um mundo fraterno, digo siga em frente, faça sua parte

E ao final disso tudo, lembre-se que ainda temos muito o que viver, que ensinar e também aprender! Esse danado tem que servir de lição para que os sobreviventes saiam dessa como pessoas melhores!

Lucia Helena Andrade Gomes é professora e advogada
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