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Jundiaí: extremos no país mais desigual do mundo

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20 de dezembro de 2017
Por José Arnaldo de Oliveira

Muita gente sabe que Jundiaí foi apontada como a sétima cidade mais segura do país em pesquisa do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), com índice de 7,7 mortes violentas a cada 100 mil habitantes. Também foi a nona cidade do país em qualidade de vida em pesquisa da FIRJAN (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro). E ocupa o 11º lugar nacional nos critérios globais do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano).

Mas surpreende, portanto, o 5.039º lugar em percentual de população em vulnerabilidade social apontada no portal oficial Cidades, do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Essa situação é apontada para a renda familiar abaixo de R$ 1.850 mensais (ou R$ 22,2 mil por ano), em que estariam 114 mil moradores nas contas atuais nos 28% da população indicados no portal.

Por um lado, a extrema pobreza é considerada abaixo dos R$ 387 mensais (ou R$ 4,6 mil por ano) e estimada pela Prefeitura em torno de 6 mil pessoas, ou 1,5% da população.

Por outro lado, é pouco comparado a rendas públicas ou privadas de R$ 30 mil mensais ou R$ 360 mil por ano.

O Brasil está sendo comentado no mundo como um dos líderes da desigualdade de renda, com apenas 1% da população ficando com 27% da riqueza do país em pesquisa do economista francês Thomas Piketty.

É claro que a renda não é o único parâmetro situacional das pessoas. Um mesmo valor é diferente para alguém que mora em casa própria e outro que paga aluguel. Para alguém que compra todos os alimentos e outro que troca os ovos de suas galinhas por frutas ou vinho com seus vizinhos. O mesmo pode ser dito sobre estar ou não em uma área com acesso a transporte público, boas escolas ou segurança pública.

Nossas riquezas, portanto, não podem ser ditadas apenas pelo padrão daquele 1% porque envolvem também coisas intangíveis como pertencimento, redes de amizade, valores básicos comuns, tolerância entre diferentes, paisagens de memória comum, solidariedade, acesso a serviços e espaços públicos de qualidade e redução de discriminações em um combate ao “apartheid” físico ou invisível.

A renda, entretanto, deve ser considerada dentro desse contexto. Mas essa desigualdade extrema atrapalha a percepção.

Uma outra pesquisa recente da Oxfam-Datafolha mostrou que os brasileiros reconhecem as diversas desigualdades do país (de classe, de raça, de gênero e até de ambiente) mas na renda 88% se colocam na metade mais pobre - inclusive aqueles com renda familiar mensal acima de R$ 4,5 mil (ou R$ 54 mil por ano), distantes dos 52 milhões de brasileiros com renda familiar de até R$ 387 mensais (ou R$ 4,6 mil por ano). Vale notar que Jundiaí também ocupa o 59º lugar do ranking populacional do país e o 50º lugar do ranking de PIB per capita.

O aspecto populacional, obviamente, é liderado pelas maiores cidades das metrópoles como São Paulo ou Rio de Janeiro. Mas a estimativa de população usada para os cálculos mostra que em apenas sete anos, de 2010 a 2017, Jundiaí teve em torno de 38 mil novos moradores, sem contar as substituições, mais do que cidades brasileiras inteiras. E se recuarmos até 1990 foram mais de 120 mil pessoas adicionais, sem contar as substituições por morte ou mudança.

Mas o ranking do PIB per capita (por pessoa) é liderado por cidades pequenas com alguma empresa grande, como nos casos de Presidente Kennedy (ES), Ilha Comprida (SP), Selvíria (MS), São Gonçalo do Rio Abaixo (MG) ou até Louveira.

Jundiaí, com R$ 91.312,64 anual de PIB por pessoa (2014), se diferencia da regra em parte por sua diversidade – que não pode ser entendida somente no aspecto econômico sem seu “background” social, ambiental e cultural historicamente construído pelos jundiaienses nativos ou radicados na cidade ao longo de 400 anos.

São reflexões. Afinal, como dizia o professor de estatística Mário Gaino, na Unicamp, a média pode ser um dado enganoso porque se uma pessoa tiver R$ 1 milhão no bolso e outra nada, a média seria de R$ 500 mil cada uma. Mas não resolveria nada.

Não se trata de criar visões opostas entre um e outro. Mas de ambos os lados buscarem honestamente meios para um desenvolvimento mais justo e equilibrado – na renda e em tudo o mais. Uma conclusão com um pouco da ingenuidade do espírito de Natal.

José Arnaldo de Oliveira é sociólogo e jornalista
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