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Ninguém é insubstituível

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22 de junho de 2020
Por José Renato Nalini

Todos já ouvimos a afirmação “o cemitério está cheio de pessoas insubstituíveis”. Às vezes, é uma proclamação ditada com ironia e até sarcasmo. Não raro, de pessoas menores, incapazes de se comover com a partida daqueles que realmente fazem falta.

O mundo está administrando as cifras de mortos pela Covid-19 como se fosse um ranking. Acompanhar os gráficos, as curvas, a escala e ritmo do aumento de óbitos parece um campeonato. Tétrico, porém instigante: até onde irá? Passaremos os Estados Unidos? Seremos o campeão mundial da desgraça?

Indague-se àquelas famílias que perderam entes queridos levados pela peste. Conformam-se com a circunstância de que outros tantos milhares também morreram e que no mundo não foi muito diferente?

O que restou para a humanidade que não soube zelar pelo ambiente, que persevera no egoísmo e na incapacidade de introjetar a dor alheia, é recuperar um sentimento muito falado, em prosa e verso, mas miseravelmente praticado. O amor.

É piegas falar em amor. Mas essa realidade que move o sol e as demais estrelas é uma experiência constante na vida humana. Quem não amou não viveu. É o amor que sustenta esse trajeto com tantas dificuldades, tantas más surpresas, tantos desencontros. Amor que existiu, sob a forma Eros, e que trouxe aquela sensação de loucura tão própria ao apaixonado. Era sábio o Código de Hamurabi ao vedar o testemunho de apaixonados. Estes perderam a razão.

Mas o amor filia, da amizade verdadeira. Aquela que nos faz sorrir ao lembrar de amigos queridos. Tantos deles já ingressos na porteira da qual não se retorna. E o amor ágape, que se pode experimentar constantemente, pois é o que nos faz amar filhos, netos e outros seres nos quais identificamos a permanência da espécie.

Miseráveis os que não conseguem se comover com as mortes que não são anônimas. Cada ser humano é irrepetível. É uma individualidade singular, heterogênea, que antes de nascer foi sonhado pelos que o conceberam. Alvo de carinho, de atenção e de cuidados, jaz hoje em covas coletivas, frustrando o ritual da despedida, estuprando o luto que é a única maneira até hoje encontrada de superar o sofrimento da separação.

José Renato Nalini é reitor da Uniregistral, docente da pós-graduação da Uninove e presidente da Academia Paulista de Letras

 
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