Jundiaqui
Jundiaqui

O dilema eterno enquanto dure

Jundiaqui
11 de outubro de 2020
Por Valquíria Malagoli

Agora está todo mundo desativando as notificações no celular. E preocupado com as eleições.

Será?

Acho mais do que oportuno. Só que também oportunismo, embora “involuntário”.

Mas, respeitadas a falibilidade humana e a relativa ingenuidade à parte... não chegamos a tal ponto sem noção alguma de que haveria consequências.

Nosso atual e eterno dilema é o deslumbramento.

Aliás, SÃO: deslumbramento e imediatismo.

Está aí a História, com todo seu rastro de atrocidades brotadas de fagulhas da mais pura credulidade e disfarçadas conveniências, para não nos deixar nos esquecermos.

A História que, infelizmente, “mudando apenas de endereço” se repete... repete... repete...

E nunca “ninguém sabe, ninguém viu” enquanto não dá no que dá.

Talvez magicamente nunca estejamos de fato onde as coisas acontecem, não é? Ou será que somente nossos corpos? Ou, agora, por exemplo, em ondas, sozinhos, nossos dedinhos caiam nessa rede e, independentemente, saiam compartilhando fakes etc.

Ou... vai ver é culpa dos poetas – esses loucos e pirados – errando por aí por toda parte com a cabeça na lua e os pés nas nuvens espalhando seus sonhos, contaminando os ares.

Se não for deles... de quem será a culpa, hein?

Será que sempre sempre sempre o discurso, e, por conseguinte, a ideia de outrem nos absolverá, pois delas somos meras vítimas ou reféns apostadores? Será? Até quando?

Eu, por minha vez, que não vou me juntar a esse coro, fazendo-me valer fora do contexto do eco de um “só sei que nada sei” pra me eximir de responsabilidade, tampouco de ideias – e ideais – próprios.

É assim, jogando-os em costas alheias que prosseguimos inocentemente disseminando ódio e alienação.

A hora é de dar um basta a essa pretensa infinita corrente de idolatria a outras pessoas e suas cabeças e sistemas aos quais adiante acusaremos, lamentando termos sido por eles enganados.

Aqui entre nós, por quanto tempo manteremos o tal silêncio dos aplicativos senão até lançarem um substitutivo?

E a suposta preocupação com a cidade... o país... o mundo senão até acharmos o predestinado, o escolhido a quem acusar, ao passo que em paralelo dia a dia sequer o lixo separamos direito?

Desativemos, sim, tudo o que não acrescenta.

“Ah, mas vão me achar antipático(a)” – pois que achem!

Paremos de replicar e replicar e replicar mensagens “inócuas” dos trezentos e vinte e dois amigos que as repassaram antes a nós. Na hora H, enquanto com uma das mãos você correr a tela para contar likes, na outra sobrarão dedos para contar com quem “na real” contar.

Votemos, sim, naqueles nos quais queremos crer, contudo, cônscios de que talvez erremos, afinal, cabe a cada um a difícil tarefa de decidir.

E a essa altura, em que temos que escolher entre tantos amigos queridos concorrendo, é verdade, é triste ter que escolher. Acontece que temos!

Que bom!

Porque chegará o tempo em que não teremos coisa alguma, muito menos escolhas; o tempo em que decidirão por nós – e não pelo nosso bem, a menos que lhes convenha.

Valquíria Malagoli é poetisa e escritora
Jundiaqui
Você vai
gostar de

Os mortos da Covid não falam inglês

Pelo Dr. Didi

Capital Inicial e Nando Reis voltam à Festa Julina de Jundiaí

Outras atrações serão Matheus e Kauan, Zé Neto e Cristiano e fechando com Natiruts e Melim

Paulo Prado vai com Ace e Jackie buscar títulos do American Agility Open

Adestrador jundiaiense disputa torneio em Itu com duplas de diversos países 

Friosinho combina com fondue e vinho no Casa Cica

Essa delícia é servida todas as noites e com desconto às quintas-feiras 
Jundiaqui
Artigos assinados não representam a opinião do site. Esse conteúdo é de responsabilidade exclusiva de seu autor.