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O positivismo, o culpado e a exceção

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6 de setembro de 2019
Por José Renato Nalini

Por que os países colonizados pelos espanhóis já possuíam faculdades no século XVI e o Brasil só contou com as suas no século XIX?

É truísmo dizer que Portugal não queria a colônia esclarecida. Foram influências do Iluminismo que geraram a Inconfidência Mineira. Se a escassa população fosse letrada, as revoltas teriam começado muito antes.

A exceção foi o Imperador Pedro II. Amigo da educação, pesquisador, cientista, amante das letras. O Brasil ainda não fez justiça a esse injustiçado governante, que tanto fez para ilustrar seu povo. Não era só no discurso, como depois passou a ser regra. Ele assistia aulas, conversava com os alunos, questionava o que estavam aprendendo. Não confiava em informes oficiais, nem em estatísticas. Avaliava pessoalmente, porque possuía competência técnica para isso. Era um estudioso em permanente aprendizado e reflexão.

A reforma do ensino de Benjamin Constant conferiu ao ensino diretrizes que, de certa forma, perduram até hoje. A instrução passou a se desenvolver dentro de um princípio doutrinário radical e unilateral. Era o positivismo puro. Começava em Conte e terminava em Conte. Adotava a linha da “convergência de todas as verdades, de todos os princípios até então adquiridos, foco único de luz capaz de alumiar e esclarecer o destino racional de todas as concepções humanas”. Foi sob essa ótica instituído o Ministério da Instrução Pública em todos os graus. O decreto de 8.11.1890 de Constant, regulou a instrução primária no Brasil. Aboliu o ensino obrigatório e o religioso. Na hierarquia das ciências, o positivismo imperou. Excluiu-se a filosofia.

Benjamin Constant acreditava em sua proposta. Mas ela foi infrutífera e improfícua. Instaurou-se o “decoreba”. O que vale é armazenar informações na consciência que não foi treinada a pensar. Após a morte do inspirador, os próprios sucessores concluíram que as reformas implicaram em descrédito e mácula para a memória de seu sábio legislador. Houve perversão do seu próprio ideal e gravíssimo prejuízo da mocidade estudiosa.

Mocidade que hoje não aprende a ler e a escrever. Por isso não sabe pensar. Contenta-se com os diplomas que formalizam o contrato celebrado com a mantenedora e depois vão perceber, na vida prática, a falta que um estudo sério, refletido e incessante faz para o seu crescimento.

Isso é evidente nos cursos jurídicos, na imensa maioria das escolas mais interessadas na percepção de mensalidades do que no futuro de seus incautos clientes.

José Renato Nalini é Reitor da Uniregistral, docente na Pós-Graduação da Uninove e Presidente da Academia Paulista de Letras – 2019/2020. Foto: Mora. Pedro II, Imperador do Brasil: retrato, 1876. Nova York, Estados Unidos / Acervo FBN
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