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O tal do Zap-Zap

Jundiaqui
2 de agosto de 2017
Por Wagner Ligabó

Bate desespero. O mundo se queda em polvorosa. Nem por brincadeira! Você só se depara com o tamanho do problema quando ela aparece e vê quanto depende dele. A coqueluche insubstituível nos dias de hoje é o tal do Zap-Zap.

Lembram o dia que este irmão de toda as horas, imã dos nossos dedos, consolo maior, saiu do ar? As pessoas pareciam asfixiadas. Olhavam em desespero para seus celulares dando a impressão de segurarem nas mãos alguém inerte, um amigo que subitamente perdeu a vida. O que fazer agora meu Deus?

Sabe de uma coisa? Eu achei bom. Hoje em dia ninguém mais se conversa de verdade. Onde quer que se esteja são todos a olharem para suas telas de telefone, escorrendo o dedo sobre elas, hipnotizados com o cacoete, reféns de um ecossistema particular.

O repórter disse que são 900 milhões de pessoas ao redor do planeta a usarem este aplicativo, que cresce a velocidade de 1 milhão de adesões todos os dias. Vale 22 bilhões de dólares e não custou nada para ser criado!

Por que não fui eu que tive esta ideia? A explicação é lógica: sinal dos tempos. Felizmente não sou da geração cibernética onde quase tudo cheira artificial.

Sou da época que para matar a saudade da namorada lá de longe escrevia uma carta por semana, não sem antes fazer rascunho e passar a limpo. Após postá-la no correio era só deixar o tempo passar e aguardar ansioso a resposta, em média uma semana. As horas passavam devagar e por conta disso talvez a vida tivesse mais sabor. Sábio o antigo ditado que diz que ‘o apressado come cru’. Hoje se come qualquer coisa e de qualquer jeito.

Sou da época que se pedia uma ligação interurbana pela manhã – ficávamos até íntimos da telefonista chamando-a pelo nome- e só íamos falar no final da tarde ou à noite. Não havia stress. Pois é. Voltar ao passado tornou-se um frequente exercício de saudade ao relembrar como era mais prazeroso viver de maneira simples, descomplicada.

Não tínhamos nada digital a não ser os próprios dedos. Atualmente somos reféns dos computadores e obrigados a decorar milhares de senhas. Irrita falar ao telefone com vozes artificiais, femininas ou masculinas, orientando a apertar uma seqüência de números, como se fosse bingo, até que se consiga falar com alguém de verdade.

Sou do tempo do namoro sério. Existia um rito a ser seguido para o desejo. A princípio flertar, depois pedir em namoro e os pais deixarem, ir ao cinema, pegar na mão. Beijo na boca só após três meses, namorar no portão ‘só até as dez’ e vamos parando por aí. O ‘quase tudo’ só após o noivado e o ‘bem bão’ só casando. Era a regra, sabendo que a toda regra existe exceção. Hoje, logo após o ‘prazer em conhecer’ vai-se direto ao assunto horizontal. Tem graça?

Eu brincava na rua até altas horas. Campinho de futebol em quase todo canto. Guerra de mamona, cabra cega, pique, balança caixão, esconde-esconde, queimada, pular corda, bola de gude, taco, bater bafo, estes sim os verdadeiros brinquedos que faziam bem à saúde da criançada.

Hoje, infelizmente, falta tempo para abraçar os amigos. Então, por favor, ressuscitem o tal do Zap-Zap. O pessoal não sabe viver de outro jeito!

Wagner Ligabó é médico cardiologista e vereador
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