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Psicanálise Selvagem

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16 de maio de 2020
Por José Renato Nalini

Os Partidos Políticos no Brasil precisariam se submeter a uma “Psicanálise Selvagem”, é o que diz o antropólogo Antonio Risério, cujo livro “A Casa no Brasil” é instigante. A expressão foi criada por Freud e muito utilizada por Glauber Rocha.

Mas o que ele quer dizer com isso?

Parece que os Partidos não perceberam que a Democracia Representativa está fazendo água. Ninguém mais se considera representado. Trinta e um anos depois, não se implementou a Democracia Participativa, prometida pelo constituinte de 1988.

Um grande número de livros fala sobre a morte da Democracia, sobre tenebrosas previsões em relação ao futuro, pelo retorno do populismo como antessala do autoritarismo. Esperava-se que uma certa sede de renovação nas eleições de 2018 fizessem os Partidos tomarem tenência. Linguagem que hoje está em desuso. Como está em desuso retomar a gênese dos Partidos Políticos, orientadores sólidos de políticas estatais, colocados à disposição do eleitorado.

Excesso de partidos, Fundo Partidário que é considerado vergonhoso pela maior parte da população, o “toma lá dá cá” da velha política, que tantos se iludiram ao considerar definitivamente banido, tudo está aí e de forma escancarada.

Um outro pensador, Leonardo Avritzer, publicou “O pêndulo da Democracia” e salienta que o voluntarismo do MP é um fenômeno preocupante. O Ministério Público parece cultivar uma visão de que o eleitor é hipossuficiente, não sabe votar. Por isso o seu protagonismo associado a uma politização indesejável. Como ele tem a prerrogativa – e até a exclusividade, em certos temas – de acionar o Judiciário, ambos passam a se considerar elaboradores das políticas públicas. Administrar sem passar pelas eleições.

Acrescente-se uma espécie de revisão da História do Brasil, de forma a ridicularizar nossos heróis, menosprezando a atuação de próceres que precisariam ser redimidos e tem-se o complexo de “vira-lata” que convence muitos brasileiros a deixarem o Brasil, achando que ele “não tem jeito”.

É urgente mudar a mentalidade brasileira. Há coisas pouco lisonjeiras em nossa História. Mas há páginas gloriosas. Risério recomenda se adote a “Metanoia”, palavra grega utilizada para exprimir a renovação da consciência patriótica. Cita o que Michelet falou da França oitocentista em seu Diário e que parece plenamente aplicável à nossa realidade: “De todos os males deste país, o mais profundo, a meu ver, é que ele perdeu a consciência de si mesmo, a consciência de sua natureza, de sua missão, de seu papel no momento, a consciência histórica de seu verdadeiro passado”.

Atentemos para isso. Quem deixa de observar o que ocorreu no passado, evitando estudar tragédias, mas também conquistas, tende a retrabalhar sua realidade e a não saber o que fazer no futuro.

O Brasil nunca precisou tanto, como agora, de sensatez, serenidade, prudência e amor. Sim, é preciso falar de amor. Não é piegas. É estado de necessidade.

José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-Graduação da UNINOVE e Presidente da ACADEMIA PAULISTA DE LETRAS – 2019-2020.
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