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Vou aprender em casa

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17 de setembro de 2017
Por José Renato Nalini

O mundo inteiro debate a questão da educação, única chave capaz de transformar o panorama desalentador dos esquemas atuais de preparação de novas gerações. Para os que são atentos, há sinais de grave contaminação da estratégia utilizada para a formação dos quadros humanos que assumirão os desafios do amanhã. A educação convencional nem sempre atende às expectativas do alunado e, menos ainda, as necessidades universais.

O jovem é aquele que mais se ressente do anacronismo das aulas convencionais. Ainda prelecionais, o detentor do conhecimento dissertando e o auditório imobilizado, sentado em fileiras imutáveis, sem possibilidade de interação e, menos ainda, de individualização do aprendizado. Daí a crescente e indomável evasão do aluno de Ensino Médio.

Aqueles mais inconformados adotam o “homeschooling”, o ensino dentro de casa. 63 países aprovam essa modalidade, no reconhecimento de que é uma opção da família e a liberdade é o primeiro dentre os direitos fundamentais. No Brasil essa permissão não existe, o que não impede a atuação da Associação Nacional de Educação Domiciliar – ANED. Cerca de 3,2 mil famílias fazem parte dela. Aqui, a matrícula na rede regular de ensino é obrigatória e a assiduidade do aluno um dever dos pais. Desistir da escolarização pode até caracterizar um crime: abandono intelectual.

Enquanto se debate a inadiável adoção do método, alinham-se argumentos favoráveis e contrários. Na primeira vertente, a autonomia e prazer pelo aprendizado. Não existe obrigação, nem dever de casa, nem disciplina. Nem uniforme, nem deslocamento. Para muitos, significa também economia. Para os detratores, a criança fica privada do processo de socialização. Não convive, não aprende a se submeter a regras de convivência. Tende a se isolar e a se converter-se em alguém deslocado no amanhã.

Os países que adotam a prática não dispensam a visita de fiscais que examinam o progresso no aprendizado e avaliam se a criança está recebendo a carga mínima de conhecimento, que propicie acompanhamento paralelo à do aluno escolar tradicional.

Talvez se possa chegar ao ideal de um ecletismo. Que tal os pais e demais familiares se interessarem efetivamente pelo aprendizado de nossas crianças e acompanharem o desenvolvimento do educando, incentivando-o e propondo tarefas sedutoras, atraentes e hábeis a evidenciar que aprender é mais do que útil e necessário: é prazeroso?

Vive-se um momento em que se constata evidente deficiência nos esquemas formais de ensino. Seja na rede pública, seja na particular, nossas crianças – em regra – não apresentam desempenho excepcional. É preciso alavancar a aprendizagem e fazer uso racional e inteligente das tecnologias da informação e comunicação disponíveis.

O conhecimento nunca foi tão acessível e tão completo como hoje. Oferecer tal acervo mágico às nossas crianças e jovens é cuidar com carinho do porvir nacional. Vamos completar a árdua missão da escola convencional com o papel fundamental e criativo dos pais, demais familiares e pessoas de boa vontade, que podem contribuir para a verdadeira revolução na educação brasileira. Cuja urgência está a clamar por socorro e precisa de todos nós. Sem exceção, qualquer pessoa tem condições de integrar esse processo de verdadeira salvação nacional.

José Renato Nalini é secretário da Educação do Estado de São Paulo
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