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Jundiaqui
29 de setembro de 2019
Por Cláudia Bergamasco

A menina e sua mãe em uma fotografia estão juntas para sempre num porta-retratos.

Na mesa onde eu trabalho, na minha casa, conversam sobre o que há no mundo, no futuro, como entender as coisas que acontecem com a gente ao longo da vida e porque acontecem de tal e qual forma.

Falam de solidão, de fragilidades, de traições, de mentiras e de verdades.

De Deus, de retidão e de desatinos. Desassossegos e encantamentos. Brilhos e sustos.

As duas falam muito, uma mais que a outra. A mãe, devota, pede aos Santos que, um dia, a menina mude, fique mais serena, mais parecia com ela.

Mas ela sabe que a filha nunca vai mudar.

Só o seu corpo vai mudar, ficar empergaminhado, rosto bordado pelo tempo e mãos pintadas.

Vai ficar sábia também. Ou pelo menos assim a mãe da menina espera.

Para não pensar sobre essas coisas, eu, que sou a menina, abaixei o porta-retratos.

Na sua essência, essa menina do porta-retratos, que a mãe tanto quer mudar, continua a mesma.

Essência a gente não muda, melhora.

A mãe não aprendeu esse “detalhe” da vida nos seus 70 anos de vida.

Tirei o porta-retratos da minha mesa.
Não somos mais as mesmas.
Não preciso carregar pesos que não são meus.
Ninguém precisa.
Nem ela.

Cláudia Bergamasco é escritora e jornalista
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