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Jundiaiense criou o primeiro carro elétrico do Brasil

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1 de maio de 2018

Mecânico da cidade foi o criador da máquina que chegou a circular pelo Rio de Janeiro nos anos 60



Antonio Fornazieri Junior e Edu Cerioni


Há mais de 50 anos, o jundiaiense Maurício Lorensini (ou Lorencini com “c”, como foi grafado na rua em sua homenagem) fez história ao criar o primeiro carro elétrico do Brasil.


Mas o inventor que deveria ganhar fortunas e reconhecimento teve apenas 15 minutos de fama, isso ao passear com Dom Agnelo Rossi pela rua Doutor Cavalcante, na Vila Arens, aqui na cidade e, depois, com Carlos Lacerda, então governador do Rio de Janeiro, ganhando espaço na revista “Quatro Rodas” e no jornal “O Globo”. Foi só.


Acabou derrotado pela indústria do petróleo que bombardeou seu projeto e não teve forças para continuar.


Essa história de carro elétrico, hoje tão na moda e que promove a disputa entre grandes montadoras mundiais, aqui no Brasil começou no início dos anos 60, com o inventor Maurício, que tinha no mecânico Tertuliano Padovani seu grande parceiro.


70 KM/H


Maurício desenvolveu em Jundiaí o chamado “Carro do Futuro”, que nunca saiu do estágio de protótipo, uma pena.


Foi construído sobre chassis de um Ford 1929, como lembra Antonio Padovani, testemunha ocular dessa criação, e apresentava um motor elétrico ligado ao câmbio. Tinha baterias convencionais de 12 volts tomando o assoalho. Não tinha carroceria exatamente para pesar menos e poder atingir até 70km/h, como Maurício assegurava à época.


O carro tinha ainda um motorzinho estacionário a gasolina para recargas de emergência, exatamente como oferece hoje o alemão BMW i3.


O jundiaiense também já previa para uma segunda etapa do projeto, o fim da transmissão convencional e instalação de um motor elétrico em cada roda traseira.


“O Maurício bolava e o meu tio Tertuliano dava forma para as invenções, era um grande mecânico. Eu era moleque, mas via a empolgação que essa criação trouxe”, conta Antonio Padovani, que ganhou de herança a oficina e a mantém, embora em um prédio menor, na mesma rua Bartolomeu Lourenço, no Centro – mais conhecida como rua do Laticínio.


O “Carro do Futuro” foi notícia do jornal O Globo, na edição de 23 de fevereiro de 1965, quando ele chegou à Cidade Maravilhosa para participar da Corrida de Calhambeques, promovida pelo Automóvel Club do Brasil.


O protótipo chegou a levar para um passeio o então governador Carlos Lacerda, que naquele dia inaugurou o Viaduto dos Marinheiros.



Na foto acima, o protótipo conduzido por seu criador e como carona Dom Agnelo Rossi, então cardeal de São Paulo.


UM SONHO


Maurício pensou em produzir em série o veículo. Disse para muitos que havia recusado uma oferta de Cr$ 20 milhões (cruzeiros) pela patente, notícia nunca confirmada. Para efeito de comparação, um VW Fusca zerinho nos anos 60 custava algo em torno de Cr$ 1,4 milhão.


Infelizmente, Maurício nunca conseguiu ganhar dinheiro com suas invenções, pelo contrário. Mas sua história ainda rende: o carro elétrico de Jundiaí voltou às páginas de “O Globo” há alguns dias, em reportagem de Jason Voguel, que lembrou que Maurício chegou a patentear 78 projetos nos anos 60.


José Mauro Lorencini (este sim com “c”), que é publicitário dono da Gêneses Propaganda e sobrinho do inventor, lembra que Maurício “ficou muito decepcionado com a vida”.


CHEIO DE IDEIAS


Maurício nasceu em 1924 e teve ideias muito avançadas para seu tempo, como uma bateria seca, ou seja, não precisava de reposição de água, como são feitas atualmente. Outra bateria chegou a ser produzida: era à prova de descarga inesperada - dividida em três ou mais elementos, montados em caixas separadas e que podiam ser substituídos de forma independente em caso de avaria –, uma invenção que tinha um slogan ótimo: “Livre-se do mau elemento”.


Antes de o carro elétrico ir às ruas, durante a Segunda Guerra Mundial, Maurício já tinha criado um motor movido a água e a ar-comprimido, que foi adaptado em um caminhão.


José Mauro lembra que Maurício herdou do pai a vocação para ser inventor. “O tio Valentim era genial, fazia usina elétrica para captar energia dos rios e vendia para o pessoal do Caxambu; ainda tem gente que usa o equipamento. Foi ele quem levou energia elétrica para Joanópolis”.


Sobre o “Carro do Futuro”, Zé Mauro lamenta: “Ele acabou abandonado, apodrecendo na Chácara Urbana”.



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