Jundiaqui
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Presente do coração

Jundiaqui
22 de dezembro de 2018
Por Nelson Manzatto

O comércio estava fechando mais cedo naquele dia, por ser véspera de Natal. E ele sabia que tinha que acelerar os passos para chegar em casa, pois pretendia levar toda a família na Igreja para participar da Missa do Galo e queria descansar um pouco, pois o movimento nas lojas tinha sido muito grande e se vestir de Papai Noel, com o calor que faz no Brasil, realmente é uma loucura!

Por executar este tipo de serviço pela primeira vez, não podia avaliar se fora ou não melhor que os outros anos. Sabia apenas que tinha se desgastado demais para ganhar o pequeno salário que recebera. Não podia, na verdade, reclamar, pois estivera trabalhando. Apenas o preocupava a semana seguinte, pois estaria, novamente, desempregado.

A experiência, para ele, fora interessante. Conversara com muitas pessoas no período em que trabalhara como Papai Noel. Ouviu muitas histórias curiosas, principalmente as contadas por crianças. Lembrou-se vagamente de uma menina que lhe dissera ter um problema de pulmão, sentir dificuldade para respirar. Lembrou-se também que a mesma menina, que lhe dissera chamar-se Juliana, que não estava na fila do Papai Noel para pedir presente. Isso ela tinha bastante... Estava na fila, mesmo, era para conversar com outras crianças – e fizera isso durante a espera – e queria, também, ouvir uma palavra amiga daquele homem barbudo e simpático.

Foi assim que ela o chamou, quando sentou-se em seu colo. Disse que tinha uma infância com poucas amizades, por ser filha única, e queria sempre ouvir uma palavra de apoio, pois a dor que sentia lhe provocava lágrimas a todo momento. E Papai Noel ou o homem barbudo e simpático, lhe disse simplesmente que a alegria de viver deveria ser maior que a dor que sentia. Que o importante era conter as lágrimas da dor, que elas deveriam ser substituídas pelas lágrimas da felicidade. E que não poderia haver alegria maior do que ter uma família.

Juliana olhou nos olhos daquele barbudo e simpático, sorriu suavemente, limpou os olhos que queriam lacrimejar novamente, e lhe perguntou como era sua família. Ele coçou a barba postiça, sorriu para a menina, e lhe disse que estava fazendo aquele trabalho, simplesmente por estar desempregado há seis meses e tinha, em casa, quatro bocas de crianças para sustentar. E que o trabalho de faxina da mulher não era suficiente para todos se alimentarem. O gordo e simpático disse que, dependendo do dia, ele ou a esposa não se alimentavam... Naquele dezembro, houve um pouco mais de alegria. Ninguém ficara, em casa, sem comer.

A menina levantou-se de seu colo, beijou a bochecha vermelha do homem simpático, fez um carinho em sua barba e, antes de dizer adeus, lhe fez uma promessa: “Papai Noel, meu pai vai lhe dar um emprego de presente ainda este ano!” E saiu correndo pela loja, desaparecendo na porta.

O homem, agora retornando para casa, não soube porque pensara naquela menina àquela hora. Sabia apenas que não podia perder o ônibus, para a família não ficar sem jantar e a missa não se perder. Nem bem entrou no coletivo e a porta se fechou em suas costas, pois não cabia mais ninguém ali. Desceu rapidamente perto de casa, chegou com algumas sacolas do supermercado e viu alegria no rosto de toda sua família. Beijou um a um os quatro filhos, abraçou e beijou a esposa e, depois do banho e do jantar, reuniu todo mundo para o caminho da igreja.

Teve sorte este ano, pois chegou e nem todos os bancos estavam lotados ainda. Sentou-se com toda sua família e aguardou a celebração. Sentiu um calafrio no corpo, quando o padre sugeriu, ao final da missa, que as pessoas procurassem alguém especial dentro da igreja para desejar Feliz Natal.

Depois que abraçou e beijou e chorou junto com sua família, virou-se para ver se visualizava alguém especial. Conhecia muita gente da igreja, mas não tinha em mente, alguém diferente, alguém especial. Quando tirou as costas da mão dos olhos, que enxugaram as lágrimas, soluçou mais forte: diante de seus olhos, com um envelope na mão, e um largo sorriso nos lábios, estava Juliana, aquela menina dos tempos de Papai Noel.

Juliana lhe entregou o envelope, beijou-o no rosto e disse que, ali, estava o emprego que precisava. O homem perguntou como o reconhecera, já que uma almofada fizera o preenchimento da “gordura” em sua barriga e a barba branca e postiça já não estava mais em seu rosto. A menina olhou nos olhos daquele homem e respondeu simplesmente “te reconheci pelo seu coração!”

Nelson Manzatto é jornalista e escritor e ganhou com este texto o 5° lugar no III Concurso Histórias de Natal do Movimento Vida Cristã
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