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Jundiaí fortalece guinada relativa à direita

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8 de outubro de 2018
Por José Arnaldo de Oliveira

Bastou menos de metade do eleitorado total da cidade. Mas Jundiaí garantiu 62% dos votos válidos ao presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) no primeiro turno, que teve mais de 142 mil votos em um colégio eleitoral de 308 mil pessoas.

Espera lá, essa conta não fecha. Afinal, 142 mil são apenas 46% de 308 mil. Mas o que conta é o número de votos válidos, que excluem os votos em branco, os votos nulos e as abstenções. Ah, entendi...

É por isso que, mesmo não tendo sido votado por 166 mil eleitores na cidade, Bolsonaro teve oficialmente 62% da votação válida. Apesar de variações percentuais, foi isso que aconteceu em 97% dos demais municípios paulistas.

O que vai fazer essa maioria de “outros” no segundo turno? É meio difícil uma mudança radical, mas é um fato.

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O que se observou na cidade foi que também pesaram questões econômicas, de segurança e de conservadorismo moral – no caso de Jundiaí, um local onde ocorreu a censura a uma peça teatral que mostrava Jesus como transexual e uma das poucas cidades que aprovaram em sua constituição (a Lei Orgânica) a proibição ao ensino sobre gênero nas escolas.

Mas não se deve tratá-la como caricatura de comunidade que apoia a tortura, o genocídio de povos indígenas ou a destruição dos órgãos de meio ambiente. É gente comum que ostenta um dos mais elevados índices de desenvolvimento humano municipais do país e sempre manteve fortes grupos independentes – portanto, ainda com espaço para debates e ajustes de opinião.

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Na disputa do governo estadual Jundiaí seguiu, nos votos válidos, uma tendência diferente da virada do governador Márcio França (PSB) na vaga de segundo turno contra João Dória (PSDB) - foto acima em sua visita à cidade. Na cidade, ele ficou em terceiro lugar com 13%, atrás de Paulo Skaf (MDB) – o ex-presidente da poderosa Fiesp, que apostou em investimentos locais do Sesi e Senai nos últimos anos. Agora começa outra etapa.

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O histórico foco de poder local, surgido ainda no final da ditadura em torno do “benassismo”(de André Benassi) e depois articulado no PSDB (interrompido apenas nos governos de Walmor Barbosa Martins e Pedro Bigardi), mostrou força com mais de 86 mil votos ao deputado federal Miguel Haddad – que acabou como suplente. Na análise do prefeito Luiz Fernando Machado, parte dos votos foram para os recordistas ligados a Bolsonaro.

Outras votações federais significativas, embora não eleitas, foram de Gerson Sartori (PDT) com 15,5 mil, a surpresa liberal de Edney Duarte (NOVO) com 12,2 mil, o feminismo de Mariana Janeiro (PT) com 10,8 mil e também Marcelo Gastaldo (PTB) com 10, 7 mil, entre outros.

Para a Assembleia Legislativa do Estado, o único eleito com base na cidade foi de Alexandre Pereira (Solidariedade) na faixa de 49 mil votos, nome isolado de seu partido na casa. Outros que tiveram números altos foram Gustavo Martinelli (PSDB) com 47,8 mil, e Dr. Pacheco (PR) com 25,9 mil, ambos ligados ao grupo atualmente no governo.

O ex-prefeito Pedro Bigardi (PDT), que em 2012 protagonizou uma eleição histórica na cidade e conduziu o governo local em meio à crise econômica do país, amargou um patamar em torno de apenas 21,7 mil votos. Mas mesmo nomes novos e diretamente ligados à onda bolsonarista como Andrea Seixas (PSL) ficaram em 6,8 mil votos.

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O clima humano na eleição foi pacífico.

José Arnaldo de Oliveira é jornalista e sociólogo

Confira todos os votos para estadual e federal
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