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Países felizes

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14 de novembro de 2017
Por José Arnaldo de Oliveira

Nem Cuba, nem Miami. A mais recente edição do Relatório Mundial da Felicidade, organizado pelas Nações Unidas, mostra como líderes em sentimento da população alguns países tão diferentes como Costa Rica, Dinamarca e Cingapura.

A revista "National Geographic Brasil" mostra alguns dos motivos e vale a pena a olhada.

Na Costa Rica as montanhas impediam a existência de grandes fazendas que faziam os presidentes apoiados pelas Forças Armadas no restante da América Latina. Assim, os pequenos produtores de mentalidade independente aproveitaram o mercado internacional do café e elegeram professores para governar o país.

Em 1869, o ensino primário já era obrigatório para meninas e meninos. E já avançava o fornecimento de água potável que evitava doenças virais. Na década de 1940 foi criada a previdência e decidido o fim do Exército. E em 1961 foi aprovada a lei da assistência médica universal com foco em evitar doenças, com os agentes comunitários de saúde. E desde 1970 a expectativa de vida subiu de 66 para 80 anos.

O ambiente é bom para todos – e o cuidado com o meio ambiente é ainda melhor.

Na Dinamarca, os moradores crescem sabendo que têm direito à assistência médica, educação e uma rede de segurança financeira; as universidades são gratuitas, a licença para pais de um recém-nascido é de um ano remunerado, inclusive se forem homossexuais. As pessoas trabalham 40 horas por semana e têm cinco semanas de férias por ano. O imposto de renda é um dos mais altos do mundo, de 41% a 56%, fazendo um coletor de lixo e um médico ganharem quase a mesma coisa. Mas não se reclama disso – o tempo livre é usado para milhares de associações ou trabalhos voluntários em grupos cívicos.

Se parecem muito social-democratas para os novos reacionários do Brasil, pegue-se o caso de Cingapura. O polo capitalista teve movimento pela independência apenas em 1965 e criou leis rigorosas para crimes violentos, inclusive com punição corporal. Mas havia trabalho para qualquer um que fosse procurar – e subsídios do governo para moradia e saúde para o caso dos salários mais baixos. A habitação é também bastante garantida a todos, mas cada prédio deve seguir a composição étnica do país (percentual de chineses, malaios e indianos) para evitar guetos raciais. E as regras são conhecidas pelos 5,8 milhões de moradores para escola, emprego e sucesso financeiro. Há queixas, mas a sensação é de segurança.

No Brasil, as cidades com melhores índices apresentam uma forte atenção aos idosos – e também a crianças. Mas a maioria das cidades, assim como o país, vem arriscando um caminho oposto, com retrocessos em vez de correções de rota diante da crise.

Tudo bem, vale dizer que nesses países a corrupção e o privilégio são mais controlados.

Sem a sensação de que o país funciona para todos, aqui o efeito é o cada um por si com bodes expiratórios como as diversas minorias. Mas como uma parte da elite que já conheceu pelo menos um desses países, valeria a pena pesquisar um pouco esses outros mundos possíveis e nos modelarmos ao que há de bom por aí.

José Arnaldo de Oliveira é jornalista do site Jundiahy

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