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Sou do tempo em que…

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12 de novembro de 2018
Por Vera Vaia

Um dias desses, minha mãe, que continua antenada mesmo no alto dos seus 98 anos a serem completados nesse próximo Dia da Bandeira (19 de novembro), saiu com uma pérola, que me fez rir muito (como vocês também vão rir quando eu contar), mas que também me fez refletir.

Quando chego na sala, ela diz que no noticiário da TV, estavam falando que o Bolsonaro ia passar uns dias com o Temer “pra ir pegando prática”.

Depois de rir às largas, fiquei me perguntando de onde vinha tamanha ingenuidade. Seria proveniente da idade, que poderia fazer interpretar transição como “pegar prática”, ou seria de uma lógica simplista que nem em criança se encontra mais, depois do advento da internet?

Daí a gente vai juntando os pontos, voltando a fita, e começa a perceber que a vida lá atrás, era realmente mais simples. Para muitos que não tinham acesso à informação, pelo menos não como hoje, um presidente recém-eleito, era simplesmente o funcionário que iria substituir o outro que deixou o emprego.

Não me lembro de ouvir meus pais discutindo com os amigos, sobre os partidos aos quais seus candidatos pertenciam. Pra eles eram pessoas que estavam pleiteando um novo emprego, e, com sorte, iriam poder ocupar o cargo que estava ficando vago.

Naquele tempo também tinha campanhas na TV, nas ruas, passeatas, carreatas e muito lixo jogado nos bueiros. E tinha, claro, os jingles, geralmente em ritmo de marchinhas, que às vezes, de tão boas, acabavam elegendo um candidato.

Me lembro bem do “Varre, varre, vassourinha...”(pronto, me entreguei! Mas eu era bem pequena, tá?), que fazia alusão à limpeza na corrupção (ô!) e que levou Jânio Quadros ao pódio em 1960. E outros que não eram do meu tempo, mas que ficaram marcados para sempre. Não era raro a gente ouvir um jingle de campanha assobiado ou cantarolado pelas ruas.

Com a marchinha “Retrato do Velho” (Bota o retrato do velho, outra vez, bota no mesmo lugar, o sorriso do velhinho, faz a gente trabalhar...), Getúlio Vargas voltou ao poder “nos braços do povo” em 1950, cinco anos depois de ter renunciado.

O jingle “Lá, lá, lá, lá Brizooooola..." apesar de ficar martelando por muito tempo nos ouvidos da população, não conseguiu eleger “Brizola, o Estadista” em 1989, que ficou lá, lá, lá em terceiro lugar.

Nesse mesmo ano, o apresentador de TV Silvio Santos tentou se candidatar à presidência, no lugar de Armando Corrêa. Sua candidatura foi impugnada por ter sido registrada em cima da hora, e já não dava mais tempo de mudar o nome que estava impresso nas cédulas de votação (uia! lembram disso?), mas a musiquinha ficou: “Silvio Santos já chegou, lá, lá, lá, lá, lá, lá...” uma adaptação da música que anunciava sua chegada ao palco “Silvio Santos vem aí...”

Outro que empolgou a plateia foi o jingle interpretado por vários artistas, entre eles Chico Buarque, que cheios de esperanças, e com enorme sorriso no rosto, entoavam de boca cheia, o famoso “Lula lá, brilha uma estrela, Lula lá...”. O jingle era bem feitinho e acabou mandando Lula para o segundo turno em 1989, quando perdeu pro Fernando Collor.

Esse, por ser mais recente, ficou gravado nas mentes de petistas e até dos não petistas, por ter sido incansavelmente tocado durante suas campanhas. A parte boa, é ele que não perdeu a atualidade, e com pequenas adaptações ainda pode ser entoado por milhões de brasileiros que se sentiram traídos por aquele que, mais tarde, veio a ser o maior dos corruptos do país: “Lula lá... hoje em Curitiba, Lula lá...” (e que continue lá)!

E quanto à Margarida, minha mãe, deixo aqui os meus parabéns pela idade nova (nova???) e sobretudo, os parabéns por ela não ter perdido a singeleza dos bons tempos em que as brigas, as ofensas, e as baixarias das campanhas, de hoje, eram substituídas por marchinhas eleitoreiras!

Afinal como não acreditar e não se empolgar com um Nelson Gonçalves cantando “quem não conhece, quem nunca ouviu falar, na famosa caixinha do Adhemar... já se comenta de norte a sul, com Adhemar tá tudo azul...”(Adhemar de Barros, o que rouba mas faz)!

Vera Vaia é jornalista
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