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Consciência?

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27 de novembro de 2017
Por Vera Vaia

"O dia em que pararmos de nos preocupar com consciência negra, amarela ou branca e nos preocuparmos com consciência humana, o racismo desaparece!"

A jornalista Glória Maria, negra, resolveu reproduzir no Twitter essa frase do ator norte-americano Morgan Freeman, negro, quando o país festejava o Dia da Consciência Negra. E o mundo desabou sobre sua cabeça! Internautas fanáticos chegaram a pedir que ela deletasse a postagem.

Ela bateu o pé e respondeu com classe e dignidade que jamais excluiria  aquele pensamento, e que quem não concordasse que, pelo menos, respeitasse a sua opinião. E acrescentou: "Eu e ele também nascemos pobres e conquistamos nosso espaço com muita luta e trabalho!"

E não é lógico isso?

Alguns acham que sim, mas outros preferem adotar o coitadismo, e acreditar na declaração infeliz da atriz Tais Araújo: "A cor do meu filho faz as pessoas mudarem de calçada". (Como assim? Num país onde mais da metade da população é negra, mudar de calçada para desviar de alguém provocaria o maior congestionamento de pedestres da história, néverdade?)

Infeliz também foi o comentário bobo do William Waack, que é conhecido  no meio jornalístico como uma pessoa totalmente desprovida de qualquer tipo de racismo.

Mas às vezes se paga alto por um pecado verbal. A atriz virou motivo de chacota nas redes sociais e o jornalista teve encerrada uma brilhante carreira, marcada por grandes e memoráveis reportagens.

E pegando carona nas besteiras ditas sobre o assunto, a "Folha" saiu com essa: "A falta de restaurantes africanos, escancara o nosso racismo". O jornalista Marcos Nogueira mistura alhos com bugalhos ao mostrar sua indignação por ter encontrado um único restaurante de origem africana, na metrópole paulistana, comandado por uma camaronesa. O que tem a ver racismo com a falta de restaurantes africanos, rapá? Quantos restaurantes brasileiros você já viu em Camarões?

Que canseira! Ninguém está defendendo que não existe o racismo, porque sabemos que ele ainda anda à solta por aí sim, mas achar que tudo tem de ser preto no branco (ops!) já é meio demais! A patrulha fica procurando pelo em ovo!

(Cuidado, Glorinha Kali! Sair hoje para comprar um "pretinho básico" pode ser interpretado por alguns como apologia à escravidão!)

Verdade que o nosso governo tem colaborado bastante pra criar esse clima. Decretar o Dia da Consciência Negra (como disse um amigo meu, negro: por quê? Preto só tem consciência uma vez por ano?), é uma demonstração de racismo, assim como adotar o sistema de cotas em faculdades e no funcionalismo público.

Quando prestei vestibular, meus colegas negros, que estudavam em escola pública como eu, entravam na faculdade da mesma maneira que os branquelos: rachando de estudar! E não é assim que deveria ser?

Ô, Criador! O Senhor não imaginou que essa brincadeira de pintar gente de várias cores ia dar encrenca? Acho que não, né? Se soubesse disso, teria tomado providências. Não deixaria que nascessem os ignorantes!

Vera Vaia é jornalista

 
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