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Vovó Zezé e seus 18 mil netos

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21 de novembro de 2020
Por Luiz Haroldo Gomes de Soutello

Em um dia de 1986, os transeuntes que circulavam pelo centro de Jundiaí se surpreenderam com uma cena incomum: uma longa fila de pessoas aguardando a vez para entrarem no Solar do Barão. E muitas crianças entre essas pessoas.

Algum curioso deve ter perguntado:

- O que está acontecendo lá dentro?

E é possível que tenha ouvido como resposta:

- É uma reunião da Academia Jundiaiense de Letras.

Se foi essa a resposta, a curiosidade por certo se converteu em espanto. Era sabido que as reuniões da Academia, realizadas no auditório do Solar do Barão, costumavam atrair para a plateia algumas outras pessoas interessadas em literatura. Mas fila se espichando pela calçada da Rua Barão? Isso era novidade. Aquela não podia ser uma reunião comum.

E de fato não era. O motivo da fila era que a escritora Maria José Simões da Veiga estava autografando o livro “Vovó Zezé conta histórias”.

Quando digo “o” livro estou, na verdade, me referindo a uma coleção de nove volumes, reunindo trinta e duas histórias para crianças. Coleção primorosamente editada por Celso Francisco de Paula, dono da Literarte, com capas e parte das ilustrações feitas por Luiz Simões Saiderberg, sobrinho da autora. As ilustrações que não foram feitas por ele foram feitas por diversos outros artistas plásticos, inclusive uma filha de Luiz, de nome Carolina, que na ocasião contava apenas nove anos de idade.

Foram impressos dois mil exemplares de cada um dos nove volumes, perfazendo um total de dezoito mil livros. Todos vendidos em menos de dois anos. Foi, e continua sendo até hoje, o maior sucesso editorial de todos os tempos aqui em Jundiaí.

E com isso a Vovó Zezé, que não tinha filhos biológicos, conquistou dezoito mil “netos” ávidos por uma história bem contada.

Antes ela só tinha duas netas postiças, Mara e Marcela, filhas do enteado Dr. Durval Knox da Veiga, um dos médicos fundadores do Hospital Paulo Sacramento. Essas duas meninas, Mara e Marcela, tiveram o privilégio de ouvir a Vovó Zezé contando só para elas, ao vivo e a cores, as histórias que depois fizeram tanto sucesso.

Será que hoje, decorridos menos de quarenta anos, mas com tantas mudanças introduzidas pela tecnologia no modo de vida das pessoas, alguma criança ainda gosta de ouvir a avó contando histórias? Que eu saiba não, mas posso estar enganado.

A escritora Rosana Congílio Martins de Camargo, como presidente da Comissão Municipal de Literatura e do Conselho Municipal de Cultura, promoveu diversos eventos de contação de histórias, em escolas, praças e até no belo jardim do Solar do Barão. Mas não sei se alcançou o objetivo pedagógico desejado.

Luiz Haroldo Gomes de Soutello é escritor e advogado

 
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