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Eu adoro gelatina

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15 de abril de 2020
Pelo chef Manuel Alves Filho

Minha sobremesa no fim de semana foi gelatina. De cereja. Não, a opção não foi por falta de tempo ou de ingredientes para preparar algo mais elaborado. Foi escolha deliberada. Desde criança, adoro gelatina. De todos os sabores. Vai bem no café da manhã, após o almoço ou jantar ou no lanche da tarde ou noite. Para que não reste dúvida, reafirmo: gelatina é comigo mesmo.

Também aprecio pé de frango, fígado bovino, dobradinha, pimentão, jiló, quiabo, almeirão, pimenta e picles. Elenco aqui alimentos sobre os quais pesam preconceitos de diversas ordens, mas que visitam minha mesa com frequência. São baratos, triviais, desglamourizados, mas que rendem pratos sublimes. Faço essas afirmações a propósito do que observo em diversos espaços e dimensões, notadamente nas redes sociais.


À rigor, boa parte das pessoas diz gostar somente daquilo que lhes é permitido gostar. É de bom tom gostar de camarão, lagosta, picanha, salmão, rúcula, palmito, cogumelo. Incrivelmente, muitos decidiram nos últimos dois ou três anos que gostam de gin, bebida que remonta ao Século VXII. Faz sentido, já que gostar de gin é permitido. Antes, a autorização é para que se apreciasse vodca com energético.

E da boa cachaça brasileira, alguém gosta? Muitos, sim. Muitos, afirmam que não provaram e não gostaram. Não cai nem bem, né? Como jornalista e cozinheiro, tive a chance de provar os mais exclusivos, sofisticados e caros ingredientes da gastronomia mundial. Todos excelentes, mas nem por isso me contento em gostar somente deles, porque deles é permitido gostar no contexto de qualquer grupo social e em qualquer ponto do planeta.

É por estas e outras razões que gosto de gostar de gelatina e companhia bela. É, em última análise, um ato de autenticidade. É como ter orgulho de torcer pela Portuguesa de Desportos, como se deleitar com o próprio sotaque, como considerar a comida da avó a melhor do mundo e como se dedicar totalmente ao trabalho, mesmo sendo mal remunerado. Não adotamos essas posturas somente porque elas nos são permitidas. A despeito de qualquer coisa, nós as adotamos porque elas contribuem para que sejamos quem somos.

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