Esportiva festeja centenário
Por Edu Cerioni – Foi em junho de 1926 que nasceu a Associação Esportiva Jundiaiense, clube que contou com milhares de associados e hoje pode ser definido como um herói da resistência. Se a sede central ficou só na saudade, no centenário a sede de campo se enche de vida em festa.
Uma feijoada neste domingo (21), sob o comando da diretoria presidida por Wagner Sebastião Capretz e que conta com Renato Rainho e Ademir Lourenço, o Sorocaba, entre outros voluntários, é o ponto alto das comemorações.

Na base da amizade, diferentes gerações levam a vida na Esportiva semanalmente, com futebol e resenha regada a cerveja e com churrasco depois que a bola para de rolar – o cordeiro em ervas finas de Magno Laércio é sempre o mais concorrido.
São pouco mais de cem sócios-contribuintes agora, todos ligados ao futebol, com encontros nas noites de quinta-feira, nas tardes de sábado e nas manhãs de domingo. Os jogos reúnem desde jovens de 15 anos, como João e Matheus, a vovôs de 82 anos, como Aylton Tardini e Chiquinho Garcia, duas lendas: um pelo toque de classe e dribles e outro pelo oportunismo em fazer gols. Duvida? É só chegar para conferir dia destes… e sentar no banco de reservas para bater papo com Giuzeppe de Luca, agora afastado do jogo, mas não dos parceiros que levou para dentro do clube. No sábado, o nome é Turma do Zeppe.


Nesse grupo tem um ex-prefeito, Pedro Bigardi, zagueiro de vitalidade, e também um vereador, o talentoso Cristiano Lopes. Uma curiosidade: a Esportiva já teve como presidente o arquiteto Vasco Antônio Venchiarutti, que foi prefeito de Jundiaí, além de outros eleitos para a Câmara Municipal.
Luis Claudio Tarallo, ex-secretário de Esportes e único na história de Jundiaí a dirigir uma seleção em Jogos Olímpicos, é bom de bola que sempre tem ao lado o filho Léo, que desequilibra as partidas. Tarallo foi técnico do basquete feminino em Londres-2012. Tem até campeão de motovelocidade no time: Roberto Del Roy, que brilhou nas pistas nos anos 80.
Alguns boleiros são sócios há décadas, como os talentosos Amadeu Geraldo Caum, outro que tem o filho em campo, o craque Lucas, e Vicente Ferreira. Tem quem se afastou por décadas da Esportiva e está de volta, fazendo gols, caso do médico Celso Barbosa. Outros acabam de chegar, entre eles o guarda municipal Edu Barbosa, Adriano Macedo e Glauco Camargo. Glauco é apresentador da TV Mais Brasil, assim como o zagueirão Anelso Paixão, responsável, ao lado de Wellington Leite, o Ton, pelos vídeos mais engraçados das resenhas.
Tem quem joga nos três treinos da semana, como Andeson Lopes Campos, o Tio, e Zezo Saito, incansáveis. Pará, Mineiro, Marcelo Carioca e Ricardo Carioca são apelidos de alguns jogadores que escolheram nossa cidade para viver nos últimos anos e foram abraçados pelo pessoal da Esportiva.
Figuras sempre presentes são Dega, Geraldo, Paulinho, Everton, Dida, Weyder, Alexandre Vertuan, Itamar, Kleber Silva, Fubá, Thiago, Will, João Saito, Marcelo Cecatto, Magno Castro, Dé, Kato, Omair, Klebinho, Fú, Mau-Mau, Borba, Mesquita, Marquinhos, Rossano, Nei, Gabriel, Pushi, Nicolas, Benzema, Murilo, Dani, Bruno, Bona, Luciano, Caio, Pier, Michel, Tadeu Rosa, Vinícius, Márcio Eiras, Ruan, Luizinho, Zago, Waldir, Marcelo…
Como diz Wander Alves, o Ligeirinho, “muita gente pensa que a Esportiva morreu, mas que nada, como se vê ali nos jogos, ela está muito viva”.

A sede de campo fica às margens da rodovia que liga Jundiaí a Itatiba, no Mato Dentro, e conta, além do campo que é um tapete, com quadras, piscinas – no verão há possibilidade de uso por um dia mediante pagamento – e churrasqueiras. A mensalidade hoje individual é de R$ 145,00 e não há necessidade de compra de título de sócio. Também é alugado o conjunto churrasqueira/piscinas para comemorações, como aniversários. O contato é pelo WhatsApp (11) 99968-5757.

Em setembro último, foi feito plantio de 300 mudas de árvores nativas na margem do córrego que limita a gigantesca propriedade, ação em parceria com a DAE. A Esportiva também sempre se abre para receber os alunos da Emeb Irmã Flórida Mestag, vizinha de bairro. Neste sábado (20), por exemplo, acontece a festa junina da escola. Grupos de escoteiros e outros aproveitam a área verde para acampamento todo ano.
Entre os últimos investimentos, foi reformado o espaço que une bar e cozinha e instalada uma churrasqueira com forno a lenha e um grande balcão. Salas de troféus e das bombas das piscinas foram reformadas. Já o campo ganhou iluminação e a sede toda foi repintada.
HISTÓRIA DE GLÓRIAS

O centenário da Associação Esportiva Jundiaiense é marcado por conquistas no esporte, destaque para o basquete e o futsal, pelos grandes momentos do Carnaval, liderados por Vardilão Fregni (Joãosinho Trinta veio em 1980 com a bateria da Escola de Samba Beija-Flor, do Rio de Janeiro), e shows inesquecíveis com os grandes nomes da MPB, trazidos por Leopoldo Berguer.

Apresentaram-se no enorme ginásio que ficava na rua XV de Novembro, no Centro, figuras como Djavan, Marisa Monte, Zezé de Camargo e Luciano, Samuel Rosa, Rita Lee e até o humorista Tom Cavalcante. Uma multidão viveu momentos lindos com Roberto Carlos no palco. Raul Seixas fez do clube seu caldeirão do diabo em show junto com Marcelo Nova nos anos 80. Também é impossível esquecer Elis Regina, quando todos embarcaram juntos em seu “Trem Azul”. Sempre um grande público prestigiando os famosos em festas que a cidade nunca mais viu se repetir.
A Esportiva era uma grande força, a exemplo de Grêmio e Clube Jundiaiense, época em que a cidade tinha raros condomínios e muitos clubes, como São João, Nacional, Uirapuru, 28 de Setembro, Ipiranga, Caxambu, Náutico e Veteranos. Com o tempo, como todos os demais, exceção ao Clube Jundiaiense, os sócios desapareceram da Esportiva, o dinheiro também e as dívidas trabalhistas e operacionais cobraram um alto preço, consumindo todo o valor arrecadado com a venda da sede central – hoje existem prédios de apartamento naquele terreno entre as ruas XV e Torres Neves com avenida União dos Ferroviários.
O futebol sempre esteve no centro das atenções da Esportiva, que contou com equipes de várias outras modalidades, como futsal, basquete, vôlei, atletismo, halterofilismo, boxe, bocha e natação (vale destacar o nome de Ivani Barbosa com os Aqualoucos, que faziam exibição de saltos de trampolim na piscina). O ginásio no Centro foi inaugurado em 1972.

Alguns nomes que estão na história são os de Nelson Prudêncio, Hélio Maffia e Mafalda Theotto. Prudêncio foi medalhista olímpico no salto triplo. Maffia se tornou um dos maiores da preparação física brasileira em todos os tempos. Mafalda foi esportista que brilhou mesmo ao trocar as quadras pela dramaturgia. Chamada de Eloísa Mafalda, fez dezenas de novelas na TV Globo, entre elas “Roque Santeiro”.
Outros nomes eternos na galeria de sócios são Paulo Batista de Sene, Jurandir Ienne, André Stoffel, Brás, Natanael Silva Júnior, Motta, Rafael Luz, Norival José da Silva, Xisté, Dedé, Zicão, Rivelino Teixeira, Lobato, José Roberto Godoy, Gerson Ribeiro, Zé Mica, Paulão, Guedes, Sidão, Serginho, Ernesto, Tadei, Pavaneli, Luiz Carlos Trefílio, Maçã, Albis Silvestre, Ado, China, Sílvio Cavalari e Gonçalo Miguel, aqui homenageados em nomes de centenas de outros.
André, por exemplo, defendeu a Seleção Brasileira de Basquete, campeã do Pan-Americano em Indianápolis, em 1987, vitória verde e amarela em cima dos EUA, os donos da casa e até então imbatíveis. O pivô brilhou com a Esportiva Gledson, o primeiro projeto de patrocínio formado para uma equipe de basquete do interior do Estado de São Paulo – isso em 1976.




