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Paróquia Sagrado Coração de Jesus é porto-seguro para haitianos

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24 de maio de 2019
Imigrantes já são cerca de mil e todos ligados à Igreja da Colônia, mesmo não sendo católicos

Edu Cerioni

Quase dez anos depois do terremoto que matou mais de trezentas mil pessoas em seu país, muitos haitianos ainda fogem da fome e da miséria e continuam chegando ao Brasil, com uma mala de roupas e o celular. E é para Jundiaí e vizinhanças que vêm em busca de uma vida melhor, mais digna, tendo a Paróquia Sagrado Coração de Jesus como ponto de referência para um recomeço. É que mesmo não sendo católicos, esses imigrantes cristãos encontram aqui seu porto-seguro. Segundo o pároco José Carlos Pedrini, "eles confiam na gente".

Essa confiança foi sendo construída de 2017 para cá. Estima-se que pelo mil haitianos vivam na região, entre Jundiaí, Várzea Paulista e Itupeva, todos tendo passado pelo bairro da Colônia, onde até 9 de junho acontece a Festa Italiana de Jundiaí 2019.

O caminho natural é chegar a Guarulhos de avião, ir para São Paulo e de lá para cá pelos trens da CPTM. Foi o que trouxe Ronald Pierre, 31 anos, que vive com a esposa e mais quatro familiares na Vila Real, em Várzea, e trabalha na Dafit, no Distrito Industrial de Jundiaí. Ele já "arrasta" um bom português e garante que achou sua segunda casa, "que é onde sou feliz".

A Igreja da Colônia, onde fica o Centro de Proteção ao Migrante, distribui 120 sacolas mensais com mantimentos para os haitianos desempregados, cada uma no valor médio de R$ 70, mas atinge cerca de 500 deles com doações. É que também ajuda com camas, colchões, utensílios domésticos e outros que são arrecadados junto aos fieis. "A cada 5 anos, a pessoa troca o colchão, mas não deve jogar fora. Traga que faremos bom proveito", diz o padre Pedrini.

O padre lembra que a coordenação dos trabalhos com os haitianos é de Fábio Henrique Ferreira e que eles chegam não para pedir dinheiro e sim socorro humanitário. "Precisam de ajuda para obter documentos e arrumar emprego".

A maioria dos haitianos fala o crioulo e a comunicação depende da ajuda de outros que se arriscam no inglês ou francês, além dos que já dominam um pouco nossa língua, graças a voluntários que dão aulas na paróquia. "A linguagem universal aqui é a da solidariedade, do amor pelo próximo", completa o pároco. "Afinal, todos nós somos um só em Cristo Jesus".

 

Quer ajudar com alguma doação? A Igreja fica na Rua Humberto Primo, 103, Colônia. Atendimento de segunda a sexta-feira das 8h às 12h e das 13h30 às 17 horas, e aos sábados das 8 horas às 11h30. Para informações, ligue (11) 4584-1406 ou escreva oara o pscjesus@uol.com.br.
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