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Jundiaqui

 Av. 9 de Julho: cinquentona valorizada
8 de julho de 2026

Av. 9 de Julho: cinquentona valorizada

Por Edu Cerioni – Dois shoppings, hotéis, condomínios verticais de alto padrão, comércio diversificado, boulevard dos mais movimentados, rodoviária e ligação direta com a rodovia Anhanguera para São Paulo ou Campinas. A queridinha de quem quer caminhar ou correr e onde todos querem festejar seu time campeão. Essa é a Avenida 9 de Julho na comemoração de seu Jubileu de Ouro.

O nome 9 de Julho é homenagem à Revolução de 1932 e ela promoveu uma revolução na vida do jundiaiense.

Foi entregue sem estar concluída em finais de 1974, passou 1975 e o começo de 1976 em obras até a segunda inauguração de abril, depois ganhando uma roupagem totalmente nova a partir de 2011.

O empresário Sérgio Del Porto (foto abaixo à esquerda) diz que faz tempo que a 9 superou a Avenida Jundiaí em importância.

Ibis Cruz (foto acima), o prefeito que abriu a avenida, um projeto que foi desenhado no governo anterior de Pedro Fávaro, em 1969, conta que a inspiração veio da marginal do Rio Tietê, que mudou a história de São Paulo. Miguel Haddad, que fez a “Nova 9”, a vê como única em relevância à cidade toda. O atual prefeito, Gustavo Martinelli, assegura que “mais do que uma avenida, ela representa a conexão entre o passado, o presente e o futuro de Jundiaí”.

E pensar que a 9 nasceu contestada e que até hoje tem quem torça o nariz para os gastos ali; foi taxada de “avenida que liga nada a lugar nenhum”, mas tornou-se o cartão-postal de Jundiaí, a dona do metro quadrado mais valorizado, sempre com novos investimentos surgindo.

Tem novidade chegando

A Tebas Incorporadora lançou o HUB 9 de Julho by Tebas, localizado em frente ao JundiaíShopping. É o primeiro empreendimento Full Experience de Jundiaí, elevando o padrão dos lançamentos da região ao unir morar, trabalhar e viver em um só lugar, com fluidez, modernidade e múltiplas facilidades.

O projeto marca um momento histórico: após um longo período, Jundiaí volta a receber novas salas comerciais, agora em um formato premium com salas que unificadas formam até lajes corporativas criando espaços inteligentes voltados para profissionais e empresas que valorizam localização, tecnologia e imagem institucional.

Além de studios, apartamentos de 1 ou 2 suítes completando a sinergia do empreendimento com o contexto urbano que está inserido.

“Todo empreendimento bom traz mais valor para seu entorno. A 9 tem potencial grande de desenvolvimento, mas ela não precisa mais do mesmo e sim do diferente”, explica José Roberto, sócio da Tebas.

Tudo bem pertinho

Moradora do 7º andar de um dos prédios do Alta Vista, Orsola Maria Sardisco De Antonio, a Mery do Rotary Club de Jundiaí, que já morou em apartamento perto da Avenida 14 de Dezembro, diz que a infraestrutura oferecida pela 9 de Julho é fantástica. “É uma facilidade, porque tem tudo aqui.”

Mery vê a Bela Vista e até parte do Centro lá de cima e trechos da 9. Mudou em 2019 e se preocupa com o aumento do volume de tráfego. “Pensando no trânsito de hoje, dá para imaginar que ficará catastrófico daqui a dez anos.”

Para Mairas Seixas, do Clube da Lady, “é um privilégio morar na avenida mais charmosa da cidade. Estamos pertinho de tudo, além disso o acesso a todos os lugares de Jundiaí é muito fácil.”

Morar em casa é para bem poucos

Dá para contar nos dedos das mãos os últimos donos de casas na Avenida 9 de Julho. O casal Leonardo Carlos Ribeiro, 63 anos, e Marisa, 66, lembra dos tempos em que a vizinhança tinha a Jacira, a Isabel, o Zé Carlos, a Sergizeli… “Todos foram vendendo e são só comércios dos dois lados da calçada agora”, diz a moradora.

Eles comemoram 41 anos de casados agora em julho, sempre ali, onde Léo já morava desde 1983. A casa que vai até a Rua Pedro Alexandrino foi construída pelo pai dele, José Ribeiro Jaria, o Português do Táxi, e passou por reforma depois. São dois andares e garagem subterrânea.

Quando vem temporal, dizem que o córrego nem sempre dá conta, mas nem isso os faz pensar em se mudar ou no barulho do trânsito. E não é por falta de propostas, asseguram.

“Poder caminhar tranquilo é uma das coisas boas, assim como ter facilidade de encontrar de tudo bem pertinho”, diz Maisa, aposentada de banco que faz salgadinhos de festa para vender.

Quem adora morar na 9 é o cantor e tecladista Renato Vianna, que agita o Carnaval dos blocos Kekerê, Filhos do Natura e Ponte Torta. “É só um pulinho pra cá ou um pra lá, porque a localização é estratégica.”

Você sabia?

A 9 tem nada menos do que 6 CEPs diferentes. No trecho do Centro: 13201-019 (até 999 – lado ímpar) e 13201-020 (de 1001 a 1555 ímpar). Anhangabaú: 13208-056 (de 1556/1557 ao fim). Vila Virgínia: 13209-010 (até 998 lado par) e 13209-011 (de 1.000 a 1.554 lado par). Vila Ponte de Campinas: 13201-908.

Beco, shoppings e os colchões

A 9 de Julho deve muito de sua notoriedade ao saudoso engenheiro civil Francisco de Assis Oliva, que foi dono da FA Oliva, grupo que criou o Boulevard Beco Fino. Junto com o Paineiras Shopping, foram os empreendimentos que mudaram, mais de 35 anos atrás, a cara e tornaram a avenida um polo de atração regional.

São 38 mil m² com amplo estacionamento. Ali tem diferentes restaurantes, gastronomia que vai do italiano requintado da Verace ao japonês, além de bares temáticos e casas noturnas, boliche e uma grande loja de materiais esportivos.

O Paineiras é de 1988, com dois pisos e dezenas de lojas em área construída de 10 mil m² — oferece anexo a um edifício comercial. Conta com cafés e restaurantes, ponto de encontro para muitos.

O pioneiro ganhou a companhia na avenida do JundiaíShopping a partir de outubro de 2012, um gigante para concorrer diretamente com o Maxi Shopping, criado em 1989 na Vila Rio Branco.

Já o comércio de rua da 9 de Julho foi se consolidando nos últimos anos e é raro ver espaços para aluguel. É grande a variedade, mas é curiosa a concentração, por exemplo, de lojas de colchões ali, um total de 11. É mais do que as drogarias, lojas de carro etc.

As vitrines se sucedem com ofertas de móveis, carros e som para autos, roupas para elas e íntimas, bolos, plantas, pedras decorativas, balões para aniversários, comida de cães e gatos, óculos, pneus, pisos, churrasqueiras, cama, mesa e banho, embalagens, além de motos e carros.

Tem supermercado, sexy shop, clínicas de cirurgia plástica e de estética, barbearia, copiadora e cartório de notas. Há agência da Caixa Econômica, do Banco Itaú e três de sistema de instituições financeiras cooperativas.

No Maxime e no Nine Office funcionam consultórios de médicos, psicólogos, nutricionistas, dentistas, escritórios de advogados, corretores de câmbio e de seguro. Dá para estudar inglês ali, se preparar para uma transição de carreira ou tratar os cabelos.

Sem jornais, banca reúne amigos

Já se vão 26 anos de Banca do Feijão na Avenida 9 de Julho, que ele garante que fica aberta de domingo a domingo pela manhã e, muitas vezes, até por volta das 16 horas.

Feijão, que nasceu Eduardo Lopes e sua esposa Edileine, é que dividem a responsabilidade da banca que nem mais vende jornais. Tem revistas e outras publicações, como caça-palavras e gibis, além de sorvetes, refrigerantes, balas e coisinhas do gênero.

No começo, Feijão recorda, vinha “Estadão” de verdade, carregado com 200 páginas ou mais — hoje virou tabloide.

Integrante do Nomad, Feijão, 59 anos, reúne amigos de longa data de diversos motoclubes da cidade, como Legião Perdida, Abutres, Leão Branco e Crato, entre outros, especialmente aos sábados e domingos.

É o casal que tem a chave e toma conta do banheiro público ali, sempre limpinho — com parede grafitada para evitar pichações.

Fotos: Cleber de Almeida e Edu Cerioni
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