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Um bairro de Jundiaí que desapareceu

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1 de outubro de 2021
Por Luiz Haroldo Gomes de Soutello

Fuçando algumas velhas transcrições existentes no Registro de Imóveis de Jundiaí, descobri o seguinte. Em 1920 ou 1921, o Coronel Eduardo Álvaro de Castro e José de Sousa Constantino ajuizaram um pedido de divisão judicial da Fazendinha, processo em que figuram no polo passivo Salvador José de Oliveira e outros. Por sentença datada de 14.6.1921 (fls. 481 verso dos autos), o juiz de direito de Jundiaí, Dr. Adriano de Oliveira, homologou por sentença a divisão feita pelos peritos e adjudicou os quinhões a um grande número de condôminos.

O nome daquela propriedade rural, Fazendinha, era enganoso, porque, a julgar pelas confrontações do quinhão que coube ao Dr. Ornélio Teani e sua mulher, Dona Sílvia de Castro Teani, a tal Fazendinha ocupava uma área correspondente, grosso modo, a tudo o que está compreendido entre o Rio Jundiaí, o Córrego do Tanque Velho, o Córrego Santa Catarina e o Córrego Bertioga.

Se essa propriedade, que ocupava uma boa fatia de Jundiaí, e quase a metade do atual Município de Várzea Paulista, era uma “Fazendinha”, eu fiz uma pergunta retórica: o que seria, na época, um fazendão? Ouvindo esse meu comentário jocoso, um amigo que morou na Agapeama e manuseou velhas escrituras de seu imóvel me disse que toda essa área, Agapeama inclusive, fazia parte de uma grande fazenda chamada Rio das Pedras.

E lá fui eu fuçar velhas escrituras, em busca de alguma referência à Fazenda Rio das Pedras. Não encontrei, porque a cadeia de filiação de todos os imóveis desmembrados da Fazendinha morre nas cartas de adjudicação expedidas naquela divisão judicial de 1921.

Mas encontrei uma coisa interessante. Uma escritura lavrada em 30.6.1943, no 1º Tabelionato de Notas (Mário Borin), situa a área correspondente à atual Vila Cristo em um Bairro do Rio das Pedras, do qual eu nunca havia ouvido falar e que aparentemente desapareceu não apenas do mapa como também da memória dos jundiaienses.

Usando o buscador do acervo do Estadão, que é um tanto aleatório, nem sempre mostra os mesmos resultados, tive uma surpresa. Em 1908, o Professor Francisco de Almeida Garrett, da escola do Bairro do Rio das Pedras, em Jundiaí, pediu transferência e foi substituído pela Professora Benedita Natividade de Araújo (Estadão de 3.6.1908, p. 3, sob o título “Instrução Pública”).

“Cacildis!!!”, como diria o falecido Mussum. Quer dizer que em 1908 já existia uma escola pública no então bairro rural do Rio das Pedras e, mais do que isso, lecionava nessa escola um professor que era parente próximo, talvez descendente do festejado escritor português João Batista de Almeida Garrett, introdutor do romantismo em Portugal. Essa me parece uma informação interessante para a história de Jundiaí e, mais ainda, para a história de Várzea Paulista.

Lamento dizer que minha pesquisa morreu por aí. Muitas perguntas ficaram sem resposta. Quem seriam os proprietários daquela enorme fazenda Rio das Pedras, que deu origem a um desaparecido Bairro do Rio das Pedras, correspondente, grosso modo, aos atuais bairros Agapeama, Vila Cristo Redentor, Vila Santa Teresinha, Jardim Petrópolis e Vila Didi? Quem foi aquele Coronel Castro, coproprietário da Fazendinha e, pelo que ouço dizer, mandachuva da Várzea no início do século passado?

Talvez algum pesquisador mais qualificado que eu, como são Vivaldo Breternitz e Paulo Vicentini, entre outros, consiga desenterrar do passado esse desaparecido bairro do Rio das Pedras, que parece ter uma história interessante. Ou, às vezes, as respostas vêm de quem menos se espera.

Consta que ainda moram na Várzea alguns descendentes do Coronel Castro e de José de Sousa Constantino. Com um pouco de sorte, esta crônica cai na mão de algum deles que conheça as respostas e que se disponha a escrever um comentário no espaço ao pé desta página. O JundiAqui estaria prestando um enorme serviço à historiografia de dois municípios.

Luiz Haroldo Gomes de Soutello é escritor e historiador
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