Adios Pelé blanco
Por Edu Cerioni – Jundiaí deu adeus nesta sexta-feira (3), a Bira Chagas. Foi-se o homem, fica o mito!
Aos 83 anos, faleceu o marido da Luiza, pai de Cuca e Ado e avô, um ex-jogador brasileiro que fez fama no México, onde era tratado como um rei. O velório (a partir das 10h) e o enterro (13h15) neste sábado serão no Cemitério Parque dos Ipês.
Desde 2015, faço fotos de Bira para o JundiAqui, as últimas delas em novembro de 2025, no Maxi Shopping. Foram muitos encontros em festa do Carnaval do Clube Jundiaiense e em lançamentos de livros, como os de Cau Úngaro e Hélio Maffia. A história de Bira também dá um livro…
Aqui, republico um texto de 2015, quando escrevi uma série no JundiAqui no retorno de uma viagem de uma semana ao México, visita que fiz a convite da Femsa/Coca-Cola. De volta ao túnel do tempo e que mostra bem a importância de Bira “no acolhedor país dos sombreiros e onde nós brasileiros somos recebidos de braços abertos, uma amizade reforçada graças ao futebol.
Vou escrever de Pelé, então? Mais ou menos, é de outro craque bem mais próximo de nós e que é ídolo naquele país e também tratado como rei: Bira Chagas.
Não fala espanhol? Tudo bem, no México você vai entender quase tudo o que lhe dizem. É muito tranquilo mesmo, só não espere que eles compreendam você com tanta facilidade. Aí a coisa enrosca um pouco, mas algumas palavras são mágicas, uma delas é “Sou amigo de Bira Chagas”.
Em Monterrey, esse jundiaiense é um ídolo eterno.
Eu disse sobre conhecer o Bira ao motorista que me levou do aeroporto ao hotel e o tratamento ficou ainda mais cheio de sorrisos conforme as histórias iam sendo trocadas. Contei ao pessoal da Femsa e todos, sem exceção, sabiam exatamente de quem se tratava, mesmo ele não jogando mais naquele país há décadas.
Antes de embarcar, falei com a Luiza Chagas, esposa do Bira, sobre a ida a Monterrey e ela foi só elogios ao povo. E a Luiza tem toda razão… Conheci o novo estádio dos Rayados de Monterrey, onde Bira foi saudado entre os ídolos eternos durante a inauguração de agosto último.
Como Bira, tive o privilégio de ver minha foto nos telões do estádio construído pela Femsa e entre os mais belos e funcionais do mundo. Tem toda a modernidade em nome do conforto, da segurança e das facilidades aos torcedores. Minha foto no telão foi sem torcida, um agrado que os anfitriões fizeram para os jornalistas do grupo – só três do Brasil, entre eles eu do JundiAqui, um orgulho nesse primeiro ano de atividades.
Muito por conta do Bira, fui escolhido para ficar na mesa número 1 da noite de gala de nossa viagem. Claro que falei de futebol e do Bira com José Antonio Carbajal e com Carlos Eduardo Aldreti. Aldreti é o diretor jurídico e secretário do Conselho de Administração da Femsa, sorriso farto. Carbajal vai além, é um dos donos de tudo, o presidente do Conselho de Administração. Em seu discurso, disse que o Brasil é estratégico para os negócios do grupo e mais investimentos virão, inclusive para Jundiaí, que terá a Oxxo como novidade em breve – conto no próximo capítulo da série sobre o México.

Una estrella
De volta ao futebol, fomos presenteados com cachecol e uma bola do Rayados, isso depois de curtir cada canto do Estádio BBVA Bancomer (nome oficial). Quem me entregou disse que Bira foi um craque.
Bira, o Ubirajara Chagas, é dono do Bar Birra, na avenida 9 de Julho – tinha o Café Tequila – e vestiu nada menos do que a camisa 10 do Monterrey por 15 anos. Aparece nos top dez dos artilheiros da equipe que agora é responsabilidade da Coca-Cola e que vai se destacar cada vez mais no cenário mundial.
Meia da Ponte Preta, do São Bento e da Portugeusa Santista, Bira se achou mesmo nos campos mexicanos, levando mais de 80 mil pessoas a sua despedida. No retorno de agosto, depois de mais de trinta anos, se emocionou: “Foi lindo poder mostrar aos meus netos onde joguei”.
Um detalhe: Bira jogou futsal e basquete em Jundiaí, mas não vestiu a camisa do Paulista – em seu retorno, foi para o Juventus, da Capital”.
Duas atualizações: 1) O estádio dos Rayados, inaugurado em 2015, vai receber jogos da Copa do Mundo 2026; 2) O Bar Birra fechou e o Tequila voltou a funcionar dentro do Beco Fino.

Bira e Pelé conversam no México nos anos 1970.

A postagem do Monterrey no adeus a seu ídolo neste 3 de abril de 2026.
Confira algumas fotos de Bira nos últimos anos:



Bira e Hélio Maffia em 2015 com o Picôco e comigo no lançamento do livro de Cau Úngaro.

Em 2017 no lançamento do livro de Maffia.


Com Luiza no CJ em 2025.




No Maxi Shopping em três momentos diferentes.



No lançamento do meu livro “Antes do Pelé Veio o Migué”, em novembro de 2024, no Clube 28. Fiz uma dedicatória em seu livro e também ganhei um autógrafo dele em um exemplar que guardo com muito carinho.

Bira brilhou!
