Aquele abraço meu amigo Odilon!
Marido de dona Ignezinha se foi e os músicos de Jundiaí perderam seu ouvinte mais atento
Edu Cerioni
Nem caixinha de fósforos ele batucava. O que Odilon Marques Lemmi gostava mesmo era de acompanhar a esposa, Ignezinha do Pandeiro, nas festas, principalmente no Bar Natura.
Ele sempre ocupava a mesa mais perto da roda de samba e ali curtia a noitada por horas seguidas entre um gole e outro de água e na maior contemplação.
Sorria aos amigos, sempre fechava os olhos na hora das fotos com flash e nunca reclamava da vida, das dores da idade, de nada.
Odilon morreu na noite da segunda-feira (9) do jeitinho que viveu: tranquilo, quietinho.
Chamou a companheira de 63 anos para que fosse assistir a seu lado no sofá o programa do “Ratinho” na tevê. Os dois davam bastante risada com as trapalhadas que viam na telinha semanalmente. Ela sugeriu um café, ele aceitou. Bebeu um gole, depois o segundo e logo colocou a xícara de lado. Um segundo depois seu coração já deixava de bater. Nem a xícara derrubou, evitando qualquer tipo de estardalhaço…
O máximo de barulho que Odilon se permitiu foi no Carnaval de cinco anos atrás, quando Ignezinha se tornou Rainha Hors Concours do Bloco da Ponte Torta e ele foi coroado Rei. Uma foto do casal com a faixa no peito e descansando na porta aberta da caçamba de uma picape rodou o Brasil.
Nos últimos meses, Odilon não saia da casa na rua Senador Fonseca, no Centro. Teve problemas de saúde, foi hospitalizado e orientado a ficar mais recluso. Mas ainda assim incentivava que Ignezinha fosse nas festas do Refogado do Sandi, no Natura e outras.
O aposentado da Companhia Paulista foi diretor do clube Grêmio, com história de sua criação ligada à ferrovia, e trabalhou também na Delegacia de Ensino. Deixa filhas, netos e a marca do ouvinte mais atento ao samba de Jundiaí. Em muitos que o conheço só pegou o pandeiro uma vez, a meu pedido, para imitar a mulher.

