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Dá para parar as perdas? Quatro mulheres em um mês não dá

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5 de maio de 2020
Por Kelly Galbieri

Não quero parecer leviana, porque é óbvio que foram muito mais que quatro mulheres mortas em um mês. Mas estas quatro que vou falar são próximas a mim... uma delas nem era próxima, mas não me conformo até agora. Outra delas era próxima e também não havia razão para não mais estar entre nós, se não fosse a maldade humana. Já as outras duas eram muito minhas amigas. Portanto, não consegui escrever sobre outro assunto essa vez que não perdas...

Vivemos há quase dois meses em pandemia e vou falar destas mulheres que se foram, sem que nenhuma delas tenha partido pela Covid-19. Por pior que possa ser ou parecer, duas delas se foram porque homens não nos deixam ser quem nós queremos. Sim, por feminicídio ou transfeminicídio.

A primeira delas, Leidy Ane, uma profissional da Saúde de Jundiaí, que trabalhava durante este período, dando seu tempo e carinho a cuidar dos outros, quando seu ex entrou no local de trabalho e a matou. O motivo? Interessa? Algum motivo justifica tamanha crueldade? E seus filhos? Uma jovem que sai para trabalhar, deixa seus filhos em casa e quer poder escolher suas roupas, seus amigos, seu trabalho, seus amores, tem ou não tem esse direito?

A segunda delas, Natasha, uma mulher transexual, amiga de toda a comunidade LGBT de Jundiaí e região, profissional do sexo, voluntária em uma ONG, que ajudava pessoas nesta pandemia levando mantimentos àqueles que necessitavam, naquele fatídico dia combinou um programa com um “machão”. Não tenho informações se, antes ou depois do programa, o rapaz a roubou e a esfaqueou, deixando o corpo debaixo da cama de sua casa. Aí vão dizer: “mas ela o levou para sua casa?” Simmmmmm... nestes tempos de pandemia, onde as pensões estão fechadas e as profissionais do sexo têm que ganhar dinheiro, a única alternativa é fazer os programas em suas casas. O risco é grande. E assim perdi uma amiga. Triste, de uma forma muito triste, como se fosse direito de uma pessoa usar, jogar fora... afinal, são pessoas invisíveis.

E domingo (3) tive a triste notícia de que minha amiga de tantos anos, Ana Patrícia se foi. Uma mulher guerreira como nenhuma outra. Lutou bravamente contra o câncer durante anos. Falava sempre como se já estivesse curada. Geminiana, daquelas que fazem com que todos se espelhassem nela. Tê-la conhecido trouxe mais coragem para minha vida, mais amizade para mim. Só tenho a agradecer a Deus por ter me dado a oportunidade de ter convivido com ela. E pedir a Ele que a receba da mesma maneira que ela recebia todos os seus amigos: de braços muito abertos!

Para finalizar, nesta terça (5), ia sentando para escrever, quando tive a triste notícia que perdi mais uma amiga querida. Outra Ana que nos deixa. Ana Cristina Lazzati (foto) que também lutou tanto tempo, hoje descansou. Mas para nós, amigos, familiares, é um sentimento triste, saudoso, porque era uma mulher tão especial, tão dedicada em tudo o que fazia, orgulho para nossa Jundiaí. Historiadora, idealista, participava de todos os eventos que envolviam ferrovias... ah minha amiga, Ana... você fará uma falta danada... era tão linda e querida! Mas tenho certeza que de onde estiver estará olhando tudo e todos. Do seu jeito, comandando com aqueles olhos atentos e claros! Saudades eternas!

E assim quero que pensemos em todas as mulheres que temos à nossa volta e que talvez não paremos para dar o devido valor. Em apenas dois dias tive a tristeza de perder duas amigas. Será que elas sabiam o quanto eu as admirava? Será que eu falei isso a elas?

Então vamos aproveitar esse tempo em casa (já que agora tudo se fechou novamente) e vamos cuidar mais do nosso lado espiritual e dos nossos familiares e amigos. Ainda dá tempo.

Kelly Galbieri é advogada e assessora de Políticas para Diversidade Sexual na Prefeitura de Jundiaí
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