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De volta ao futuro, o legado de Venâncio

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12 de outubro de 2017
Por José Arnaldo de Oliveira

O teatro do Sesc estava lotado no domingo (8) com uma atração especial por ser um reencontro com uma música que marcou toda uma geração de jundiaienses. No show chamado “Venâncio Furtado – Um Visionário Pelos Ares da Ilusão” eram apresentadas diversas músicas desse compositor que marcou os anos oitenta na cidade e continuou sendo tocado até hoje nas rodas de violão.

Além dos músicos no palco, as cadeiras do teatro formavam outro espetáculo. Ao lado das notas musicais estavam as notas emocionais das amizades, dos afetos, dos reencontros. Gente que viu as lutas pela preservação da Serra do Japi, pela restauração do Teatro Polytheama ou pela conservação da Ponte Torta. Que andou de trem, que visitou amigos em casas sem tantos muros, que conviveu nas praças, cachoeiras e bares. Pessoas lindas que sonharam com a democracia, com a paz, com o respeito e com a liberdade.

“Desafio você a tomar conta da Terra, desafio você a não pensar mais em guerra”, diz uma das canções do show que se mostram cada vez mais atuais. Surgido dos ecos da contracultura, Venâncio representou na cidade a mesma turma musical que deu ao país alguns dos maiores mitos da MPB.

Como muitos deles, prezava uma espécie de pureza artística. Seguiu até 2013 na margem do sistema, vivenciando outras artes como pintura depois de ter levado sua música a muitos palcos e até mesmo ao Estado inteiro pela tevê.



Mesmo sem uma enorme popularidade, tornou-se um músico reverenciado pela classe dos músicos da cidade que reconheciam sua criatividade autoral. E foi isso que levou os nove participantes do projeto proposto pela Co.des a dedicarem meses de trabalho voluntário para aprimorar o resultado que surpreendeu a todos no domingo.

Como diz uma certa campanha de mídia, Venâncio é uma joia do interior. Não apenas do interior geográfico, mas do nosso interior como comunidade, como pessoas. O reencontro de pessoas no espetáculo foi como lembrar das origens comuns de todos, independentemente da trajetória de cada um pela vida. Foi uma comunhão.

As imagens dessas pessoas dizem muito da alegria de ter vivido momentos especiais na cidade. Como se de repente, de volta ao futuro, essa história comum a esses e a muitos outros que não puderam estar presentes lembrasse que por mais que o mundo esteja dividindo ou apagando muitos ideais existe uma energia única que nos trouxe até aqui e que pode ajudar a seguir adiante, sendo passada para novas gerações. Uma energia que alguns chamam de amor.

Para alguns, isso parece piegas e deveria ser visto como atitude política, embora não partidária. Outros diriam que é pura arte e isso é o mais importante.Difícil é encontrar quem tenha contato com essa obra e diga que ficou datada. Para todos os que cantaram junto no show, ela é um reencontro com uma essência do som.

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José Arnaldo de Oliveira é jornalista

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